OIT reforça pedido de investigação sobre mortes em protestos por aumento de salário no Camboja

Ao menos quatro grevistas morreram e líderes sindicais foram presos após repressão policial. Eles pararam indústria têxtil, responsável por 5 bilhões de dólares anuais em exportações.

Trabalhadora têxtil cambojana. Foto: Banco Mundial/Chhor Sokunthea

Após novos relatos de repressão policial a trabalhadores em manifestações por aumento de salário na capital do Camboja, Phnom Penh, a Organização lnternacional do Trabalho (OIT) apelou a todos para que mantenham a calma e reiterou nesta terça-feira (28) seus pedidos de investigação independente sobre a ação policial.

“A OIT pede a todas as partes que se abstenham de mais violência e que tomem todas as medidas necessárias para a libertação dos líderes sindicais e trabalhadores detidos por terem participado da greve sobre o salário mínimo”, afirmou a agência, que também ofereceu seu apoio a todas as partes para que se chegue a uma resolução para o conflito por meio do diálogo.

Membros da oposição têm boicotado a Assembleia Nacional do Camboja desde meados do ano passado, em uma tentativa de derrubar o primeiro-ministro Hun Sen, cuja vitória em julho estendeu sua permanência de 28 anos no poder. A oposição alega fraude e pede uma nova eleição.

Trabalhadores do setor têxtil se juntaram à oposição pressionando por melhores salários, parando uma indústria que mantém 400 mil empregos e responde por cerca de 5 bilhões de dólares por ano nas exportações do país.

A repressão policial teria matado pelo menos quatro trabalhadores durante uma manifestação em 3 de janeiro e resultado na detenção de dezenas de outros.

A OIT pediu ao governo que abra um inquérito independente para determinar as circunstâncias da ação policial e das mortes, ataques e prisões de trabalhadores durante a greve.

Ao finalizar uma visita ao país no início deste mês, o relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Camboja, Surya P. Subedi, destacou que as atuais tensões políticas e sociais têm impacto direto nos direitos humanos de todos os cambojanos e pediu a todos os lados flexibilidade para que um compromisso político seja alcançado.