Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estão desfilando pelos tradicionais circuitos da capital baiana este ano, ao lado de celebridades e foliões, graças a uma iniciativa inédita da Banda Eva, do Instituto EcoDesenvolvimento e do Sistema das Nações Unidas no Brasil.
Por Jorge Chediek (*), coordenador do Sistema ONU no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estão desfilando pelos tradicionais circuitos da capital baiana este ano, ao lado de celebridades e foliões, graças a uma iniciativa inédita da Banda Eva, do Instituto EcoDesenvolvimento e do Sistema das Nações Unidas no Brasil. O intenção é de sensibilizar o grande público sobre a importância dos ODM e, ao mesmo tempo, conscientizá-lo quanto aos desafios que ainda temos para que eles sejam alcançados até 2015.
O Relatório de Economia Criativa de 2010, elaborado em conjunto pelo Programa das Nações Unidas (PNUD) e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), aponta que “criatividade, conhecimento, cultura e tecnologia podem ser os motores da criação de empregos, da inovação e da inclusão social”, ajudando os países a alcançar os ODM.
A história do carnaval baiano é um exemplo concreto disso, em seu dinamismo e sua capacidade transformadora. Com a evolução dos blocos e trios à condição de empresas, a Bahia passou a exportar carnaval e musica para todo o país. Em 2007, este braço da indústria criativa baiana empregava mais de 130 mil pessoas e movimentava mais de 160 milhões de dólares em seis dias de festa.
Por isso a importância de desenvolvermos políticas multidisciplinares e transversais capazes de fomentar a indústria criativa. Por isso a importância de falarmos dos ODM em pleno carnaval, já que esta festa carrega em si o potencial de mudar, de forma positiva, a vida real de cada cidadão. Na arena social, o carnaval é fonte de esperança em um mundo melhor, mais alegre e mais justo. No campo econômico, é uma fonte real de oportunidades.
A indústria do carnaval pode e deve servir de instrumento para a abertura de novas portas: as da erradicação da miséria e da fome; as da promoção de igualdade de gênero e de melhores condições de vida a todos; as da geração de empregos e de aumento da renda. Que o Carnaval baiano sirva não só de orgulho da expressão da cultura popular do país, mas também de palco para o desenvolvimento humano.
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(*) Jorge Chediek é coordenador do Sistema ONU no Brasil. Mais sobre os ODMs: http://www.pnud.org.br