Enormes caixas de presentes de cores brilhantes estampam mensagens que prometem aos transeuntes uma vida melhor. Mas uma vez dentro delas, eles veem os rostos e histórias das vítimas do tráfico de seres humanos.
Os visitantes que chegam a Londres para assistir as Olimpíadas poderão encontrar enormes caixas de presentes de cores brilhantes com mensagens que prometem aos transeuntes uma vida melhor. Mas uma vez dentro delas descobrem a dura realidade do tráfico de seres humanos. As instalações são parte da Campanha Gift Box (caixa de presente) que pretende sensibilizar sobre o tráfico de seres humanos, um delito que afeta a todos os países do mundo de uma maneira ou de outra.
Externamente, as caixas estão adornadas com cores brilhantes e cheias de promessas como “Ganhe dinheiro e ajude sua família”. O interior é branco e preto e apresenta os rostos das vítimas e suas histórias bem como informações sobre o tráfico de seres humanos.
Enquanto milhares de atletas viajam ao Reino Unido para disputar a medalha de ouro, “a cada minuto, de cada hora, homens, mulheres e crianças se veem obrigados a viajar pelo mundo para ganhar o outro para outros: eles são vítimas de tráfico”, pode ler-se no site web da Gift Box. “É nossa responsabilidade aproveitar esta oportunidade para informar ao mundo sobre a realidade deste terrível crime, para inspirar os visitantes desta cidade para os jogos da XXX Olimpíada a conhecer este delito e empreender ações para por fim a ele”.
Três de cada mil pessoas são vítimas de trabalho forçado
De acordo com a última estimativa mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o trabalho forçado, cerca de 21 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado. Isto é, estão presas em empregos que lhes foram impostos por meio da coerção ou engano e os quais não podem abandonar. A maioria das formas de tráfico de seres humanos pode ser considerada trabalho forçado e, portanto, os dados refletem o âmbito geral do tráfico de seres humanos com fins de exploração laboral e sexual, que é considerada por muitos como a escravidão moderna.
As estimativas da OIT mostram que no mundo três de cada mil pessoas são vítimas de trabalho forçado neste momento, sendo 90% das vítimas exploradas por indivíduos ou empresas privadas, enquanto que 10% são forças a trabalhar pelo Estado, grupos militares rebeldes ou em prisões, sob condições que violam as normas fundamentais da OIT. A exploração com objetivos sexuais constitui 22% de todas as vítimas e a exploração com fins laborais representa 68% do total.
“Ainda é complicado ter êxito em processo judicial contra indivíduos que ocasionam tal sofrimento a tantas pessoas. Isto deve mudar. Devemos garantir que o número de vítimas não aumente durante a atual crise econômica, na qual as pessoas são cada vez mais vulneráveis a esta prática nefasta”, declarou Beate Andress, que dirige o Programa Especial de Ação para Combater o Trabalho Forçado da OIT.
A campanha Gift Box foi idealizada pelo grupo ativista Stop The Traffik e a Iniciativa Global das Nações Unidas para a Luta contra o Tráfico de Pedssoas (ungift.org) constituída pela OIT e outras agências das Nações Unidas bem como pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).