Olimpíadas no Brasil: Risco de propagação internacional do vírus zika é ‘muito baixo’, diz OMS

Reunido nesta terça (14) em Genebra, comitê científico da Organização Mundial da Saúde que trata da crise afirmou que existe um “risco muito baixo” de propagação internacional do vírus zika como consequência dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro; mulheres grávidas continuam “aconselhadas a não viajar” para o país.

Jogos Olímpicos e Paralímpicos acontecem no Rio de Janeiro, em 2016. Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro / Portal Cidade Olímpica

Jogos Olímpicos e Paralímpicos acontecem no Rio de Janeiro, em 2016. Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro / Portal Cidade Olímpica

Reunido nesta terça-feira (14) em Genebra, o comitê científico da Organização Mundial da Saúde (OMS) que trata da crise internacional relacionada ao vírus zika e as condições neurológicas associadas, como a microcefalia, afirmou em nota à imprensa que existe um “risco muito baixo” de propagação internacional do vírus zika como consequência dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro.

Esta é a terceira reunião do comitê desde que ele foi instalado, no dia 1o de fevereiro. Representantes do Ministério da Saúde do Brasil e de governos de outros países envolvidos na crise – Cabo Verde, Colômbia, França e Estados Unidos – também participaram da reunião.

O comitê, que avaliou as evidências científicas disponíveis sobre a atual epidemia do vírus zika, destacou que é possível que o vírus possa se disseminar globalmente, estabelecendo novas correntes de transmissão em áreas onde o vetor está presente.

O grupo destacou, no entanto, que as Olimpíadas ocorrem durante o inverno brasileiro, “quando a intensidade da transmissão autóctone de arbovírus, como os vírus da dengue e da zika, será mínima”. O comunicado ressalta ainda que tem ocorrido a intensificação das medidas de controle de vetores nos locais dos Jogos e regiões próximas, “o que deve reduzir ainda mais o risco de transmissão”.

Os Jogos Olímpicos acontecem entre os dias 5 e 21 de agosto, enquanto os Paralímpicos entre 7 a 18 de setembro. A maioria dos eventos acontecem no Rio de Janeiro, mas Brasília, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo também recebem algumas das atividades.

A terceira reunião do chamado Comitê de Emergência foi convocada pela diretora-geral da OMS, Margaret Chan. Cientistas que compõe o comitê e representantes de governos também discutiram a implementação das recomendações temporárias emitidas pela diretora-geral no último encontro. Outro tópico debatido na reunião de cerca de quatro horas foi o debate da opinião pública sobre o tema, que teve grande repercussão na imprensa internacional.

Ao final da reunião, o Comitê observou que manifestações de massa como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos podem “reunir um número significativo de indivíduos suscetíveis”, e podem representar “um risco para os próprios indivíduos”, resultando potencialmente no aumento da transmissão. Além disso, pode ainda contribuir para a disseminação internacional do vírus zika “dependendo de sua epidemiologia, dos fatores de risco presentes e das estratégias de mitigação locais”.

No caso do vírus zika, no entanto, o Comitê observou que os riscos individuais em áreas de transmissão são os mesmos ocorrendo grandes eventos ou não, podendo ser minimizados através de medidas adequadas de saúde pública.

Recomendações para mulheres grávidas e sexo seguro

A Comissão “reafirmou e atualizou” seu parecer à diretora-geral da OMS sobre a prevenção da infecção para viajantes internacionais. A primeira delas reafirma que as mulheres grávidas “devem ser aconselhadas a não viajar” para áreas onde há uma epidemia do vírus zika – como é o caso do Brasil.

Além disso, mulheres grávidas cujos parceiros sexuais residam ou viagem para essas áreas devem assegurar práticas sexuais seguras – ou se abster de sexo durante o período da gravidez.

O Comitê também pediu que viajantes para áreas com epidemia do vírus zika deve receber informações adequadas sobre os potenciais riscos e as medidas que reduzam a possibilidade de exposição através de picadas de mosquito e da transmissão sexual. Ao retornar, estes devem tomar as medidas adequadas – incluindo a prática de sexo seguro – para reduzir o risco de transmissão futura.

O Comitê também destacou – conforme comunicado anterior – que não devem haver restrições gerais sobre viagens e comércio com países, regiões ou territórios em que há transmissão do vírus zika, incluindo as cidades do Brasil que acolherão os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

O Comitê pediu no comunicado que o Brasil continue intensificando seu trabalho em relação às medidas de controle de vetores nos locais de realização das Olimpíadas, publicizando estas medidas, aumentando a vigilância sanitária em relação à circulação do vírus e do mosquito vetor e tornando públicas essas informações em tempo hábil. O grupo também pediu que o governo assegure a disponibilidade de repelente e preservativos para os atletas e visitantes.

Viajantes que visitarão o Brasil no período dos Jogos, acrescentou o comunicado, devem estar “plenamente informados” pelos seus respectivos governos sobre os riscos de infecção do vírus zika, sobre as medidas de proteção que devem ser tomadas para reduzir estes riscos e sobre as medidas que devem tomar se suspeitarem que foram infectados.

Os países também devem estabelecer protocolos para receber estes indivíduos após sua volta do Brasil, com base em orientações da OMS.

“Os países devem agir de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde sobre manifestações de massa no contexto da epidemia do vírus zika, que serão atualizadas à medida que mais informação se torna disponível sobre os riscos associados com a infecção pelo vírus zika e fatores que afetam a disseminação nacional e internacional”, concluiu o comunicado do Comitê.

Acesse aqui o comunicado da OMS (em inglês).

Acesse aqui o comunicado em português.

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