OMC aponta forte aumento de medidas comerciais restritivas entre países do G20

O 20º relatório de monitoramento da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre medidas comerciais do Grupo dos 20 (G20), publicado na quinta-feira (22), mostra que o volume de comércio afetado por novas medidas restritivas à importação atingiu um novo pico durante o período do relatório atual.

“Este relatório fornece um primeiro ‘insight’ factual sobre as medidas comerciais restritivas que foram introduzidas durante os últimos meses, e que agora cobrem mais de 480 bilhões de dólares em comércio. Os resultados do relatório devem ser fonte de séria preocupação para governos do G20 e para a toda a comunidade internacional”, afirmou Azevêdo.

Vista aérea da cidade e do porto de Santos (SP). Foto: EBC

Vista aérea da cidade e do porto de Santos (SP). Foto: EBC

O 20º relatório de monitoramento da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre medidas comerciais do Grupo dos 20 (G20), publicado na quinta-feira (22), mostra que o volume de comércio afetado por novas medidas restritivas à importação atingiu um novo pico durante o período do relatório atual.

A estimativa de 481 bilhões de dólares em comércio cobertos por estas novas medidas impostas pelas economias do G20 de meados de maio a meados de outubro de 2018 é mais de seis a registrada no período do relatório anterior e a maior desde que esta medida foi calculada pela primeira vez, em 2012.

O relatório também mostra que a cobertura comercial de novas medidas facilitadoras de importação (216 bilhões de dólares) cresceu significativamente durante este período, mas representa menos que a metade das medidas restritivas.

O diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, alertou que os resultados do relatório representam uma fonte de séria preocupação, e pediu ação imediata.

“Este relatório fornece um primeiro ‘insight’ factual sobre as medidas comerciais restritivas que foram introduzidas durante os últimos meses, e que agora cobrem mais de 480 bilhões de dólares em comércio. Os resultados do relatório devem ser fonte de séria preocupação para governos do G20 e para a toda a comunidade internacional”, afirmou Azevêdo.

“Um agravamento permanece como uma ameaça real. Se continuarmos no caminho atual, os riscos econômicos irão aumentar, com possíveis efeitos para crescimento, empregos e preços ao consumidor no mundo. A OMC está fazendo tudo que pode para apoiar esforços para reduzir a intensidade da situação, mas encontrar soluções irá exigir vontade política e liderança do G20.”

No total, 40 novas medidas comerciais restritivas foram aplicadas por economias do G20 durante o período do relatório, incluindo aumentos tarifários, restrições sobre importações e tarifas de exportação. Isto representa uma média de oito medidas restritivas ao mês, um volume mais alto do que a média de seis medidas registrada durante o período do relatório anterior (meados de outubro de 2017 a meados de maio de 2018).

Economias do G20 também implementaram 33 novas medidas com objetivo de facilitar comércio durante o período, incluindo eliminação ou redução de tarifas de importação e tarifas de exportação. Perto de sete medidas comerciais facilitadoras ao mês, isto está em linha com a tendência de 2012 a 2017. Além disso, liberalização associada à expansão de 2015 do Acordo de Tecnologia da Informação da OMC continuou sendo um colaborador importante para facilitação comercial.

Economias do G20 continuaram dando início a um número mais alto de novas investigações comerciais de reparação, em comparação ao número de ações comerciais de reparação que encerraram. No entanto, a diferença entre o número de inícios e de encerramentos estreitou, em comparação aos anos anteriores.

Os principais setores afetados por pedidos de reparações comerciais durante o período do relatório foram ferro e aço, e produtos de ferro e aço, seguidos por móveis, artigos de cama, colchões e equipamentos elétricos.

As economias do G20 são: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unido, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia, assim como a União Europeia.

O relatório não faz juízo de valor sobre a legalidade das medidas registradas. Além disso, embora o relatório analise a cobertura de novas medidas comerciais, ele não analisa o quão restritivas são ou tenta avaliar seus possíveis impactos.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).