Bangladesh é o lar de cerca de 900 mil refugiados rohingya que deixaram o país vizinho Mianmar devido a perseguições. População vive em condições precárias e assentamentos. A temporada de monções, que começa em abril, trazendo altos volumes de chuva, poderá agravar riscos associados a cólera, diarreia, hepatites e infecções transmitidas por vetores, como malária, dengue e chikungunya.

Crianças rohingya aguardam distribuição de assistência humanitária em Cox’s Bazar, em Bangladesh. Foto: UNICEF/Patrick Brown
Com a temporada de chuvas se aproximando no Sul Asiático, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta semana (20) que os serviços de saúde precisam ser ampliados para atender a 1,3 milhão de pessoas em Bangladesh, das quais cerca de 900 mil são refugiados rohingya que fugiram de Mianmar. Tempestades previstas para abril podem agravar riscos de transmissão de doenças como a cólera.
“Água, saneamento e moradia estão longe de padrões adequados, o que aumenta o risco de uma disseminação rápida de várias doenças transmissíveis e causadas por água contaminada”, afirmou o diretor regional da OMS para o sudeste da Ásia, Poonam Khetrapal Singh.
O fluxo de refugiados sobrecarregou os serviços e a infraestrutura das comunidades que acolhem os rohingyas. Do 1,3 milhão de indivíduos que precisam de apoio para receber atendimento adequado de saúde, 400 mil são bangladeses vivendo nas regiões que receberam refugiados. Desde 25 de agosto do ano passado, quase 670 mil rohingyas deixaram Mianmar rumo a Cox’s Bazar, região de Bangladesh onde já viviam outras 212,5 mil pessoas dessa etnia.
Apesar dos esforços “louváveis” do governo bangladês e de parceiros humanitários, afirmou a OMS, as necessidades de saúde continuam “imensas”, sobretudo na área de saúde reprodutiva. Cerca de 60 mil crianças devem nascer em campos para deslocados forçados ao longo de 2018.
Além das mães, recém-nascidos e crianças, existem outros grupos vulneráveis, como os idosos, que precisam de cuidados para tratar o trauma causado pelo exílio e doenças crônicas não transmissíveis, incluindo problemas cardíacos e diabetes.
A temporada de monções, que começa em abril, trazendo altos volumes de chuva, poderá agravar riscos associados a diarreia, hepatites e infecções transmitidas por vetores, como malária, dengue e chikungunya. Quando a atual crise de deslocamento forçado eclodiu, a OMS criou um sistema de alerta para identificar o mais rápido possível eventuais surtos. A estratégia levou Bangladesh a realizar campanhas de vacinação em massa para cólera, sarampo, rubéola, pólio e difteria.
“O setor de saúde está grosseiramente subfinanciado e está lutando para satisfazer as necessidades da população afetada”, acrescentou Singh, que pediu recursos à comunidade internacional para garantir uma resposta adequada ao que “claramente está fadado a ser uma emergência prolongada”.
Também sobre a crise dos rohingyas, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) afirmou que 1,3 mil famílias da etnia estão vivendo numa “terra de ninguém”, entre as fronteiras de Mianmar e Bangladesh.
Cerca de 5,3 mil homens e mulheres, idosos e crianças vivem em abrigos improvisados enquanto tentam cruzar a fronteira em busca de segurança. O porta-voz do organismo internacional, Andrej Mahecic, defendeu que todas as pessoas têm direito a pedir asilo e proteção.