A agência da ONU anuncia que outros aumentos no abastecimento da vacina acontecerão, depois de ter aprovado um terceiro fabricante para prevenir a doença. Cólera mata até 142 mil pessoas por ano, segundo a OMS.

Um médico checa se uma criança tem cólera em um centro de tratamento de Lester, um município a duas horas de Porto Príncipe, Haiti. Foto: MINUSTAH/ Logan Abassi
Com insuficiência global das vacinas orais de cólera, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou na sexta-feira (8) que o fornecimento da vacina deve dobrar neste ano, chegando a seis milhões de doses. Com a aprovação de um terceiro fabricante, a agência da ONU prometeu que a produção seguirá aumentando para suprir as necessidades mundiais.
Em 2015, o Sudão e o Haiti pediram o apoio da OMS apara conduzir campanhas de vacinação preventivas, mas o apelo não pôde ser atendido devido à carência mundial do produto.
A nova produtora é uma companhia na Coreia do Sul, aprovada pelo programa de qualificação da OMS que garante que os remédios e vacinas comprados pelos países e agências internacionais, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), encontrem padrões aceitáveis de qualidade, segurança e eficácia.
O fornecimento adicional das vacinas dará início a um ciclo de demanda crescente, aumento de produção e redução dos preços, de acordo com a OMS. As vacinas contra a cólera requerem duas doses, o que significa que um estoque de reserva é suficiente para atender a um milhão de pessoas.
Historicamente, não há grande demanda pela vacina, já que a doença afeta, principalmente, a comunidades mais pobres, que desconhecem sua existência. Em 2013, a OMS prometeu criar o primeiro estoque, comprando e usando 2 milhões de does ao ano para incentivar essa demanda.
Transformações recentes no panorama mundial, como as mudanças climáticas e o fenômeno El Niño, podem causas secas ou inundações em diferentes partes do mundo, fatores que contribuem para o aumento da frequência dos surtos de cólera.
A cólera é uma doença diarreica que pode matar em horas se o paciente não receber tratamento. Em um ano são registrados cerca de 1,4 milhão a 4,3 milhões de casos, com até 142 mil mortes. A doença é endêmica em mais de 50 países, mas geralmente só recebe atenção internacional em emergências, como o surto entre refugiados em Goma, República Democrática do Congo, em 1994, que matou dezenas de milhares de pessoas.