Destruição das instalações vai deixar 200 mil pessoas sem acesso a assistência médica. “O ataque viola a lei humanitária internacional”, destacou a Organização Mundial da Saúde.

A OMS estima que ao menos 51 hospitais foram danificados ou parcialmente destruídos durante os últimos seis meses, devido ao conflito contínuo no Iêmen. Foto: OMS Iêmen
A Organização Mundial da Saúde (OMS) condenou, na última quarta-feira (28), o bombardeio do hospital dirigido pela organização não governamental ‘Médicos Sem Fronteiras’ (MSF) e mantido com o auxílio da agência da ONU e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Saada, no norte do Iêmen. Estimativas indicam que, com a destruição do centro clínico, 200 mil pessoas ficarão sem acesso a assistência médica.
Para a OMS, o bombardeio significa um sério retrocesso tanto para a MSF quanto para a comunidade afetada, representando um desafio adicional ao trabalho humanitário no país. A agência das Nações Unidas fez um apelo a todas as partes do conflito para que respeitem a segurança e a neutralidade das instalações e dos profissionais de saúde. “O ataque viola a lei humanitária internacional”, destacou a Organização.
Já é o segundo ataque a um hospital dirigido pelos MSF em um mês. No dia 3 de outubro, 30 pessoas morreram quando uma clínica apoiada pela organização humanitária foi bombardeada em Kunduz, no Afeganistão. Entre os feridos, 27 eram integrantes da associação.
A OMS também expressou sua crescente preocupação com as contínuas ameaças a agentes, locais e veículos de saúde na Síria e no Iraque. A agência tem trabalhado junto com parceiros para proteger da violência os pacientes, os profissionais, a infraestrutura e os suprimentos, de modo a minimizar perturbações para aqueles que precisam desesperadamente de cuidado.
Um dia antes, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, já havia se manifestado sobre o ataque. “O secretário-geral apela para uma investigação rápida, eficaz e imparcial, a fim de garantir a responsabilização”, disse seu porta-voz. “O secretário-geral convoca todas as partes envolvidas no conflito no Iêmen para cessar imediatamente todas as operações, incluindo ataques aéreos.”
Ban Ki-moon afirmou que os hospitais e os profissionais que ali trabalham estão explicitamente protegidos pelo direito internacional humanitário. Por meio do comunicado, ele lembrou ainda a todas as partes sobre “necessidade extrema” de respeitar as suas obrigações no âmbito do direito internacional dos direitos humanos e do direito internacional humanitário para impedir ataques contra pessoas e alvos civis.