Cerca de 2 milhões de pessoas precisam de assistência médica na Líbia. Conflitos internos, que se agravaram desde julho de 2014, fragilizaram o sistema de saúde e deixaram população em risco.

Homem preso em centro de detenção, em Trípoli, contraiu doença de pele infecciosa. Doenças transmissíveis colocam população da Líbia em risco, segundo a OMS. Foto: UNICEF / Alessio Romenzi
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, nesta quinta-feira (28), que a agência e seus parceiros precisam de 50 milhões de dólares para levar assistência médica a cerca de 2 milhões de pessoas na Líbia. Conflitos internos, que se agravaram desde julho de 2014 no país, já afetaram quase metade de toda a população e fragilizaram o sistema de saúde. Para a OMS, o atraso no fim da crise por vias políticas não pode impedir o trabalho humanitário.
Entre os riscos enfrentados pela população, a agência da ONU citou a proliferação de doenças transmissíveis, possíveis surtos de sarampo e poliomielite, aumento da mortalidade e o acesso limitado ao cuidado médico e a serviços de prevenção para grupos vulneráveis, como mulheres, crianças e idosos. “A situação da saúde na Líbia está rapidamente se deteriorando, com deslocamentos extensivos, danos e fechamento das instalações de saúde em áreas de conflito”, alertou o ministro da Saúde líbio, Reida Oakely.
Desde novembro de 2015, a OMS já conseguiu atender quase 250 mil pessoas, oferecendo remédios, clínicas móveis, equipes de saúde, combustível e água potável para o povo líbio. No entanto, estimativas indicam que essa parcela de beneficiados representa apenas um décimo do volume de indivíduos que precisariam, urgentemente, de assistência humanitária. Cerca de 1,9 milhão de líbios seria portador de necessidades médicas sérias.
Para alcançar esse público, a OMS enfrenta desafios no terreno, como impedimentos à entrega de provisões e ao trânsito de profissionais de saúde. “Se o acesso para o fornecimento de ajuda não for garantido imediatamente, milhões de pessoas estão em risco de enfrentarem um desastre humanitário e de saúde”, afirmou o representante da agência no país, Syed Jaffar Hussain. “Não podemos esperar por uma solução política, precisamos agir agora”.
Dificuldades ao trabalho da Organização também vêm da falta de profissionais de saúde, uma vez que a maioria das equipes de enfermagem foi evacuada em 2014. Hospitais, laboratórios e bancos de sangue funcionam de forma limitada e remédios e vacinas estão em falta. Segundo Hussain, para salvar vidas, a OMS precisa de mais recursos financeiros e apoio da comunidade humanitária internacional. Verba de 50 milhões vai permitir o fortalecimento da estrutura nacional de saúde já existente e garantir serviços de atendimento para a população.