No Brasil, já foram registrados 1.248 casos de microcefalia ao longo de 2015. Pernambuco concentra 646 ocorrências. Aumento de casos está relacionado ao vírus zika, segundo o Ministério da Saúde.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) emitiu, nesta terça-feira (1), um alerta a respeito das infecções pelo vírus zika, que já circula, de forma autóctone, por nove países das Américas. A agência chamou a atenção para a possível relação, já verificada no Brasil, por exemplo, entre o vírus e o aumento incomum do número de casos de microcefalia, de outras malformações congênitas e de síndromes neurológicas e autoimunes. No país, ao longo de 2015, já foram registrados 1.248 casos de microcefalia, incluindo sete mortes.
Informações da OPAS indicam que, nesse ano, a ocorrência de microcefalia no Brasil já alcançou a taxa de 99,7 (por 100 mil nascimentos). O valor representa um aumento de cerca de 20 vezes dos números atribuídos aos anos de 2010 e 2000. Apenas no estado do Pernambuco, já foram registrados 646 casos, em 2015. Segundo a OPAS, o vírus zika já chegou a 18 estados brasileiros.
Na semana passada, o Ministério da Saúde brasileiro confirmou a relação entre a microcefalia e a infecção pelo zika, após detectar o genoma do vírus em tecidos de um bebê paraense que, além desta, apresentava outras malformações congênitas. De acordo com as análises do órgão, o risco elevado de desenvolvimento de microcefalia ou de outras malformações, pelos fetos, está associado às infecções das mães pelo vírus zika durante o primeiro trimestre da gravidez.
O alerta da OPAS também lembra que, em julho de 2015, autoridades brasileiras já haviam verificado o aumento dos casos de síndromes neurológicas em pacientes adultos infectados pelo vírus. Até meados do mês, 76 pessoas haviam apresentado sintomas de distúrbios que afetam o sistema nervoso, dos quais 42 foram diagnosticados com a síndrome de Guillain-Barré.
No resto do hemisfério sul, a Polinésia Francesa também registrou uma elevação no número de ocorrências de malformações cerebrais e síndromes do sistema nervoso em fetos, possivelmente associadas a infecções pelo vírus. Além do Brasil e do departamento francês, a Colômbia, El Salvador, a Guatemala, o México, o Paraguai, o Suriname, a Venezuela e a Ilha de Páscoa, no Chile, já identificaram a circulação do zica em seus territórios.
