Quase 3 milhões de refugiados e migrantes já chegaram à Europa em 2015. A OMS estima que 5% desse contingente precise de assistência médica para tratar problemas de saúde não transmissíveis.

Movimento em massa de populações deslocadas tem pressionado serviços de saúde dos países de acolhimento na Europa.Foto: ACNUR/Gordon Welters
A Organização Mundial da Saúde (OMS) quer formular, em parceria com países europeus, estratégias regionais para lidar com as necessidades médicas dos refugiados e migrantes que chegam à Europa. Para discutir os desafios de saúde trazidos pelas populações deslocadas, a agência da ONU deu início, nesta segunda-feira (23), em Roma, a um encontro de alto nível com representantes e ministros do continente e de outras partes do mundo onde a OMS atua.
Apenas em 2015, quase 2 milhões de refugiados e migrantes buscaram abrigo na Turquia e mais de 700 mil em outras nações europeias. A agência da ONU estima que até 5% desse contingente precise de assistência médica para o tratamento de danos acidentais, hipotermina, queimaduras, episódios cardiovasculares, complicações durante a gravidez e o parto, diabetes e hipertensão.
Além desses problemas de saúde não transmissíveis, os movimentos em massa das populações também aumentam o risco de contágio por doenças infecciosas, devido à escassez de água e a falta de serviços adequados de alojamento e saneamento que os refugiados enfrentam. Para lidar com as pressões adicionais que o volume de indivíduos deslocados deposita sobre os serviços médicos dos países de acolhimento, a agência acredita ser urgente um plano de ação conjunto no continente europeu.
“Uma boa resposta para os desafios das pessoas em movimento requer preparação e capacidade dos sistemas de saúde, incluindo dados epidemiológicos robustos e Inteligência de migração, planejamento cuidadoso, treinamento e, acima de tudo, adesão aos princípios da equidade, da solidariedade e dos direitos humanos”, afirmou a diretora regional da OMS para a Europa, Zsuzsanna Jakab.
A vacinação tem sido uma das prioridades das agendas das nações europeias e da OMS. As agências da ONU recomendam a imunização impreterível de acordo com os calendários nacionais de qualquer país onde refugiados e migrantes permaneçam por mais de uma semana. A aplicação de vacinas em fronteiras, porém, não é aconselhada, a não ser em caso de epidemias no país de trânsito ou de destino.