OMS recomenda expansão do acesso a medicamentos antirretrovirais para acabar com epidemia de Aids

Segundo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), apenas 17,1 milhões entre as 36,9 milhões de pessoas soropositivas sabem que estão infectadas pelo vírus HIV.

Uma mulher soropositiva em Uganda recebe o medicamento para tratamento do HIV. Foto: UNICEF/Shehzad Noorani

Uma mulher soropositiva em Uganda recebe o medicamento para tratamento do HIV. Foto: UNICEF/Shehzad Noorani

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta segunda-feira (30) que expandir os medicamentos antirretrovirais para as pessoas infectadas com o vírus HIV é a chave para acabar com a epidemia de Aids. A declaração foi feita em ocasião do Dia Mundial da Aids, comemorado todos os anos no dia 1º de dezembro.

Segundo a OMS, resultados de experimentos publicados neste ano confirmam que pessoas portadoras de Aids que começam a terapia antirretroviral antes do vírus enfraquecer seu sistema imunológico têm maior probabilidade de viver de forma mais saudável, além de apresentarem menos chances de transmitir o vírus para parceiros.

As recomendações da agência da ONU incluem o uso de estratégias inovadoras de testes, contribuindo para que pessoas infectadas pelo vírus saibam de sua condição de saúde; a aproximação de serviços de teste e tratamento ao outros lugares de residência; o começo do tratamento mais rápido entre indivíduos que estão em estágios mais avançados da doença; e redução da frequência de visitas recomendadas para aqueles que estão em situação estável.

Segundo o UNAIDS, apenas 17,1 milhões entre as 36,9 milhões de pessoas soropositivas no mundo sabem que têm o vírus. Para lidar com esta questão, o diretor executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, lançou uma iniciativa em Libreville, no Gabão, que estimula jovens a fazerem o teste de HIV, no último sábado (28).

Nos últimos 15 anos, o aumento do medicamento antirretroviral tem sido mais acentuado na região africana, onde mais de 11 milhões de pessoas recebem o tratamento, segundo a OMS, acrescentando que hoje as pessoas soropositivas na África têm mais probabilidade de receber tratamento do que na maior parte do mundo.

Entre os 12 países que somam 90% das novas infecções de AIDS, oito reduziram para mais da metade o número de crianças soropositivas desde 2009, de acordo com dados publicados em 2013. Os outros quatro países estão prestes a chegar a essa marca.

“O senso de urgência que era norma durante os anos mais destrutivos da doença não pode se deixar abater”, afirmou Winnie Mpanju-Shumbusho, diretor-geral assistente para o HIV/Aids, tuberculose, malária e doenças tropicais neglicenciadas da OMS. “O HIV continua sendo um grande desafio de saúde”, declarou.