No Dia Mundial da Hepatite, lembrado neste 28 de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que países têm avançado no combate à doença, com a incorporação de metas globais a estratégias domésticas de saúde pública. Levantamento realizado pela agência da ONU analisa dados de 28 países, que respondem por cerca de 70% dos casos de hepatites virais.
No Dia Mundial da Hepatite, lembrado neste 28 de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que países têm avançado no combate à doença, com a incorporação de metas globais a estratégias domésticas de saúde pública. Levantamento realizado pela agência da ONU analisa dados de 28 países, que respondem por cerca de 70% dos casos de hepatites virais.
Segundo a OMS, 86% das nações avaliadas estabeleceram metas de eliminação da hepatite e mais de 70% começaram a desenvolver planos para oferecer acesso a serviços eficazes de prevenção, diagnóstico, tratamento e atenção. Mais da metade desses países indicou já ter alocado recursos para acabar com a doença como ameaça de saúde pública.
Em 2015, havia 325 milhões de pessoas vivendo com hepatites virais. Desse contingente, 257 milhões e 71 milhões, respectivamente, estavam infectadas pelos vírus das hepatites B e C — os dois principais assassinos entre os cinco tipos da doença. No mesmo ano, todas as variações da patologia viral causaram 1,34 milhão de mortes, um dado próximo ao número de mortes por tuberculose e superior aos óbitos relacionadas ao HIV.
Apesar dos progressos na instituição de marcos de ação, a OMS enfatiza que é preciso acelerar na corrida contra a infecção. “A resposta nacional para a eliminação da hepatite está ganhando impulso. No entanto, na melhor das hipóteses, uma em cada dez pessoas que vivem com a doença sabe estar infectada e pode ter acesso ao tratamento. Isso é inaceitável”, afirmou o diretor do Programa Global contra a Hepatite, Gottfried Hirnschall.
Opções de tratamento e prevenção
Quase metade dos Estados-membros estudados buscam a eliminação da patologia por meio do acesso universal à terapia. Em 2015, apenas 7% dos 71 milhões de pessoas com hepatite C tinham condições de se tratar. A OMS lembra que, com antivirais de ação direta, esse tipo da doença por ser completamente curado dentro de três meses.
A agência da ONU tem trabalhado para democratizar o acesso aos medicamentos, garantindo preços acessíveis. O organismo internacional aponta que, com a introdução de versões genéricas dos antivirais, houve reduções drásticas no valor da terapia em alguns países, sobretudo nas nações de média e baixa renda.
Recentemente, a OMS pré-qualificou a primeira versão genérica do sofosbuvir, um dos remédios usados para curar pacientes infectados com a hepatite C. O preço médio do tratamento obrigatório de três meses com esse genérico varia entre 260 a 280 dólares, um custo muito inferior ao de 2013, quando se comercializou o primeiro medicamento com esse fármaco.
A respeito da infecção crônica pelo vírus da hepatite B, o organismo das Nações Unidas ressalta que a patologia possui uma alta taxa de mortalidade. A substância mais eficaz contra a doença é o tenofovir. No entanto, o remédio não é capaz de curar as pessoas e precisa ser administrado ao longo da vida. Seu preço em muitos países de baixa e média renda é bastante reduzido — chegando a, no máximo, 48 dólares por ano.
“Identificar intervenções com alto impacto é um passo fundamental para a eliminação dessa doença devastadora. Muitos países conseguiram ampliar a vacinação contra a hepatite B. Agora ,precisamos redobrar os esforços para aumentar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Em sua publicação para o Dia Mundial, a agência lembra ainda que o uso de materiais de injeção contaminados nos estabelecimentos de saúde é responsável por um grande número de novos casos da doença.
A OMS recomenda prevenir a transmissão em procedimentos invasivos, como cirurgias e atenção odontológica, aumentar as taxas de vacinação contra a hepatite B e ampliar os programas de redução de danos para os usuários de drogas injetáveis.
Conheça o guia da OMS sobre o uso seguro de materiais de injeções. Clique aqui.
Cúpula Mundial em São Paulo
Em novembro, a Cúpula Mundial de Hepatites reunirá especialistas em São Paulo para debater os principais desafios e estratégias na resposta à doença. Evento acontece do dia 1º ao dia 3. Encontro é organizado conjuntamente pela OMS, a Aliança Mundial contra a Hepatite e o governo do Brasil.