Brasil é um dos países onde o surto de zika é maior. Embora a relação do vírus com a microcefalia ainda esteja sendo investigada, já foram relatados 3.893 casos suspeitos da má formação em 20 estados brasileiros.

Telas de proteção contra mosquitos são recomendadas pela OMS para prevenir infecções pelo vírus Zika. Foto: OMS
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, nesta sexta sexta-feira (22), que infecções pelo vírus zika já foram registradas em vinte países das Américas e em cerca de dez outros na África, na Ásia e no Pacífico. O Brasil foi citado como uma das nações onde o surto da doença é mais amplo. Colômbia, Panamá, El Salvador e Cabo Verde também apresentam um número expressivo de casos. Embora os vínculos entre o vírus e a ocorrência de microcefalia ainda estejam sendo pesquisados, a OMS destacou que, em 20 estados brasileiros, 3.893 casos suspeitos da má formação neurológica, entre eles, 49 fatais, já foram relatados.
A agência da ONU também informou ter conhecimento de um caso de microcefalia no Havaí, associado a um viajante vindo do Brasil. Equipes da OMS têm trabalhado com as autoridades brasileiras para investigar a relação entre as doenças.
Segundo o porta-voz da Organização, Christian Lindmeier, a microcefalia poderia ter diferentes origens, como toxinas, drogas e a síndrome de Down. No entanto, desde 2015, a razão mais consistente que explica o aumento do número de bebês diagnosticados com a má formação seria a proliferação do vírus Zika.
O mosquito vetor do Zika é o mesmo responsável pela transmissão da dengue, da febre amarela e da chikungunya. Para a OMS, as melhores medidas de prevenção incluem a utilização de repelentes de insetos e de redes de proteção contra mosquitos, além do uso de roupas como calças e blusas de manga comprida. Países têm trabalhado para eliminar criadouros do vetor da doença.
De acordo com Lindmeier, a infecção pelo zika ainda era bastante desconhecida, pois dava origem a uma doença branda, tratada facilmente. Caso seja confirmado o vínculo entre o vírus e a microcefalia, a situação será diferente. Atualmente. A OMS também está investigando a relação do zika com outras síndromes do sistema nervoso, verificadas na Polinésia Francesa, onde um surto do vírus atingiu a população em 2013 e 2014.
Até o momento, a agência da ONU não emitiu nenhuma recomendação de viagem, mas disse que centros nacionais podem aconselhar cidadãos a não viajarem para determinados destinos, com base em informações já obtidas.