A crescente tensão entre Israel e Palestina desperta uma nova onda de atos brutais. Na semana passada, um ataque a facadas cometido por um agressor palestino contra uma família israelense deixou três mortos no assentamento de Halamish, área ocupada da Cisjordânia.

O Portão de Damasco, uma das principais entradas para a Cidade Antiga de Jerusalém. Foto: ONU/ John Isaac
A crescente tensão entre Israel e Palestina desperta uma nova onda de atos brutais. Na última sexta (21), um ataque a facadas cometido por um agressor palestino contra uma família israelense deixou três mortos no assentamento de Halamish, área ocupada da Cisjordânia.
Condenando veementemente a hostilidade, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, transmitiu suas condolências aos familiares das vítimas e pediu que sejam contidas todas as ações ou palavras que possam piorar essa situação já instável.
Além da Cisjordânia, uma das principais cidades de Israel também tem sido palco de intensa brutalidade. Na Cidade Antiga, área histórica de Jerusalém, uma série de esfaqueamentos e outros incidentes violentos têm ocorrido desde meados de junho.
Expressando grande preocupação com os confrontos, as Nações Unidas e seus parceiros diplomáticos no processo de paz no Oriente Médio pediram que todos demonstrem a máxima restrição e trabalhem atenuar a situação.
Em um comunicado emitido no último sábado (22), enviados do chamado Quarteto de Paz para o Oriente Médio – ONU, Rússia, Estados Unidos e União Europeia – condenaram fortemente os atos de terror, lamentando a perda de vidas inocente e desejando uma rápida recuperação aos feridos.
Observando as sensibilidades particulares em torno dos locais sagrados em Jerusalém e a necessidade de garantir sua segurança, o grupo pediu a que seja demonstrada a máxima contenção a ações provocativas e um maior esforço para melhorar a situação.
Na declaração, os enviados parabenizaram o compromisso do primeiro-ministro israelense em garantir que os locais sagrados em Jerusalém sejam mantidos e respeitados. Além disso, o Quarteto incentivou Israel e Jordânia a trabalhar juntos para defender o ‘status quo’, observando o papel especial da Jordânia ao reconhecer o tratado de paz com Israel.
O comunicado foi concluído com uma forte mensagem: “a violência aprofunda a desconfiança e é fundamentalmente incompatível com a resolução pacífica do conflito entre Israel e Palestina”.
Conflito político que pode virar religioso
O enviado das Nações Unidas para o processo de paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, advertiu que os recentes eventos na Cidade Antiga e na Cisjordânia são uma lembrança da possível deterioração do conflito entre israelenses e palestinos.
Ele espera que o acordo entre Israel e Jordânia, além do envolvimento positivo com as autoridades religiosas, possam resultar em ações que contornem a violência no futuro.

O enviado das Nações Unidas para o processo de paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov. Foto: ONU/ Manuel Elias
“[Os acontecimentos] demonstraram o grave risco do agravamento do conflito, além da ameaça de transformar o conflito israelo-palestino em um confronto religioso, arrastando os dois lados a um mar de violência com o resto da região”, disse Mladenov, enfatizando a necessidade de todas as partes acabarem prontamente com a crise.
Observando que a questão de Jerusalém deve ser negociada e decidida pelos dois lados, ele pediu que Israel cumpra suas obrigações segundo as leis internacionais dos direitos humanos. Ele solicitou ainda que os líderes palestinos evitem declarações provocativas que agravem ainda mais a situação.
“Não devemos perder o foco na necessidade de restaurar uma perspectiva política. Temos a necessidade de levar os palestinos e os israelenses às negociações sobre um acordo final, evitando transformar o conflito israelense-palestino em um religioso”, enfatizou Mladenov.
Esforços para amenizar a crise
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, parabenizou os esforços para aliviar a crise na Cidade Antiga. Notícias divulgadas nesta quinta (27) indicam que detectores de metais e outras medidas de segurança nos locais sagrados foram removidas ou amenizadas.
“[O secretário-geral] espera que o diálogo continue a contribuir para criar uma atmosfera de confiança entre as comunidades”, afirmou o porta-voz de Guterres, em declaração. Ele ressaltou ainda que o chefe da ONU permanecerá engajado nas negociações com todas as partes envolvidas.