Mais de 80% das famílias deslocadas internamente em Gaza pediram dinheiro emprestado para sobreviver no ano passado, mais de 85% compraram a maior parte da comida com crédito e mais de 40% reduziram seu consumo de alimentos, de acordo com levantamento do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários.

Jovem garota caminhando em rua severamente danificada em Gaza. (2014) Foto: UNICEF/Eyad El Baba
Mais de 75 mil famílias palestinas deslocadas internamente na Faixa de Gaza como resultado da escalada das hostilidades com Israel em 2014 continuam vivendo em condições preocupantes e precisam de moradia, segundo o órgão de coordenação humanitária das Nações Unidas no território palestino ocupado.
Em comunicado à imprensa divulgado no início da semana, o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) disse ter conduzido um levantamento sem precedentes sobre o perfil das famílias internamente deslocadas na Faixa de Gaza.
“Depois de ouvir mais de 16 mil famílias deslocadas na Faixa de Gaza, é claro que a maioria continua vivendo em condições desesperadoras”, disse o coordenador humanitário das Nações Unidas no território palestino ocupado, Robert Piper. “O apoio internacional para acabar com essa situação é urgentemente necessário”.
A última grande escalada de ataques israelenses contra a Faixa de Gaza ocorreu em 2014, deixando mais de 2 mil palestinos mortos, incluindo mais de 500 crianças, segundo a imprensa internacional. No lado israelense, foram mais de 60 mortos, a maior parte soldados.
De acordo com o levantamento do OCHA, mais de 80% das famílias consultadas pediram dinheiro emprestado para sobreviver no ano passado, mais de 85% compraram a maior parte da comida com crédito e mais de 40% reduziram seu consumo de alimentos.
Além disso, 62,5% das famílias deslocadas internamente estão alugando residência, incluindo de parentes, e aproximadamente 50% temem serem despejadas de suas acomodações.
A situação das mulheres e crianças é uma preocupação em particular, disse o OCHA. Muitas famílias informaram estar vivendo em abrigos que não têm segurança, dignidade ou privacidade, incluindo tendas, casas destruídas ou a céu aberto.
“O financiamento é necessário mais do que nunca. Enfrentamos uma falta de recursos para reconstruir cerca de 6,6 mil casas, ou cerca de 37% do total necessário. Sem esse apoio, milhares de palestinos não verão um fim para seus deslocamentos”, disse Piper.