Enfraquecimento de autoridades locais, disseminação do medo e penetração em áreas de tensões étnicas e religiosas são estratégias do grupo para substituir estado iraquiano por “Estado do Terror”.

Assentamento informal para pessoas deslocadas nos arredores de Bagdá, capital do Iraque. Foto: IRIN/Heba Aly
Os crimes executados pelo Estado Islâmico (EI) podem submeter o Iraque a condições catastróficas, enquanto o país lida com tensões sectárias e com o crescimento da crise humanitária que já afeta mais de 5 milhões de pessoas, de acordo com um alerta de funcionários da ONU nesta terça-feira (18).
Por isso, a comunidade internacional deve expandir seus esforços de auxílio para a transição do país rumo à estabilidade democrática.
O enviado da ONU para o Iraque, Nickolay Mladenov, afirmou ao Conselho de Segurança da Organização que o enfraquecimento das autoridades do Iraque, a disseminação do medo em todas as comunidades locais e a penetração nas áreas de maiores tensões étnicas e religiosas são as estratégias do grupo armado.
“Seus objetivos são claros: destruir o estado iraquiano e substituí-lo com um ‘Estado do Terror’ construído sobre o genocídio, os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade”, disse.
Enquanto isso, o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, defendeu que as ações violentas do grupo extremista no Iraque se qualificam como crimes internacionais e, por isso, são dignos de submissão à jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI).
Mladenov afirmou ainda que os esforços das Nações Unidas e da comunidade internacional a favor da segurança, do desenvolvimento e dos direitos humanos podem contribuir para o avanço do Iraque em direção à estabilidade política, ao diálogo e à cooperação para diversas de suas problemáticas. O enviado elogiou a cooperação do país com tribos locais e governos regionais no combate ao EI.
A crise iraquiana, no entanto, vai além da ameaça do grupo, uma vez que a história recente do país conta com problemas sociais, políticos e econômicos não resolvidos. Dentre eles estão desafios como a transição à democracia, a falta de acordos sobre a plena implementação da constituição, as diferenças sectárias e a exposição do país a tensões regionais e globais.