“O Conselho de Segurança da ONU deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que a ajuda alcance as pessoas necessitadas”, disse a vice-secretária-geral para os Assuntos Humanitários.

Distribuição de alimentos em Azzas, no norte da Síria. Foto: ACNUR/A. Solumsmoen
Representantes da ONU alertaram o Conselho de Segurança na última quinta-feira (26) sobre a situação do conflito na Síria, que entra em seu quinto ano com a persistência da brutalidade, da violência e da impunidade.
“Todo mês nós reportamos as mesmas violações. Os números mudam, mas o modelo é o mesmo. As partes continuam agindo com impunidade: matando e sequestrando civis, negando o acesso, removendo suplementos vitais de comboios de ajuda. Este padrão deve ser quebrado”, alertou a vice-secretária-geral para os Assuntos Humanitários e vice-coordenadora de ajuda emergencial da ONU, Kyung-Wha Kang.
Mais de duas milhões de pessoas foram afetadas nas províncias de Alepo e Dar’a, apenas este mês, pela negação de água e eletricidade pelos envolvidos no conflito. A situação das 212 mil pessoas sitiadas na região se agrava mais a cada dia. Em Raqqa e Deir ez Zor, o Estado Islâmico fechou os escritórios de várias organizações humanitárias.
O Conselho deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para responsabilizar as partes e garantir que a ajuda alcance as pessoas necessitadas. As organizações humanitárias que operam na região sitiada da Síria e nos países vizinhos continuam a atingir milhões de pessoas todos os meses. Em janeiro, cerca de 3,4 milhões de pessoas foram beneficiadas pela assistência alimentar, enquanto centenas de milhares também receberam medicamentos, utensílios domésticos e outros suprimentos.
“Mas isto não é suficiente. Mais esforços devem ser feitos para diminuir a escala da violência, proteger e permitir que as organizações humanitárias possam dar mais apoio “, disse Kang, enfatizando a necessidade de garantir o congelamento dos combates em algumas partes de Alepo para que as agências humanitárias possam entregar comida, remover detritos e conseguir levar as crianças de volta para a escola.
O chefe da agência da ONU para os refugiados, António Guterres, lembrou que o número crescente de refugiados – que já passa dos 3,8 milhões – pressiona os serviços humanitários, os países e famílias receptoras, tendo um impacto direto, principalmente, na economia e nos recursos do Líbano, Jordânia e norte do Iraque. Mais de 100 mil crianças refugiadas sírias correm o risco de tornar-se apátrida sob a lei síria.
Para aliviar essa situação Gueterres pediu mais apoio internacional, principalmente na flexibilidade de vistos para a reunificação familiar, bolsas de estudo e trabalhos patrocinados por empresas privadas.