Ainda se recuperando da crise de 2011, a irregularidade das chuvas prejudica colheitas locais e já compromete a segurança alimentar da população.

Agência da ONU será capaz de ajudar 35 mil famílias através do apoio de redistribuição de gado. Foto: FAO
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou na sexta-feira (31) que a Somália se debruça sobre uma nova crise humanitária que ameaça mais de dois milhões de pessoas com falta de alimentos.
Ainda se recuperando da fome devastadora que atingiu a zona rural em 2011, o país passou por uma temporada de estiagem seguida de inundações, o que prejudicou as colheitas locais.
Como resultado das chuvas atrasadas e irregulares, a colheita de cereais da próxima safra tem um déficit estimado de 37%. A escassez das chuvas também contribuiu para a falta de água, o mau desempenho de gado e a redução do acesso ao leite em diversas áreas.
A FAO manifestou sua preocupação com o destino de mais de um milhão de pessoas que precisam de assistência crítica, ressaltando o aumento, em apenas seis meses, de 20% do número de pessoas que necessitam de ajuda humanitária urgente.
“Se aprendemos alguma coisa com a devastação da fome de 2011 é que precisamos agir o quanto antes”, disse o subdiretor-geral da FAO e representante regional na África, Bukar Tijani. “Sabemos por experiência que as respostas rápidas para alertas precoces são fundamentais para evitar desastres e são mais baratos do que respostas de emergência às crises humanitárias já avançadas”, acrescentou.
A agência será capaz de ajudar 35 mil famílias através do apoio de redistribuição de gado e campanhas de vacinação, pescas, insumos agrícolas e contratações. Aproximadamente 22 mil famílias serão beneficiadas com um programa de distribuição de vales para a compra de sementes.
No entanto, a FAO precisa de outros 49 milhões de dólares adicionais para ampliar a assistência a um total de 58 mil famílias no primeiro semestre de 2015.
“Temos uma pequena e crítica janela de oportunidade. Precisamos ampliá-la agora se não quisermos seguir o mesmo caminho de quatro anos atrás”, alertou o diretor da FAO para a Somália, Luca Alinovi.