No auge da crise, segundo o ACNUR, os violentos conflitos no sul do país chegaram a afetar 400 mil pessoas.
O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) declarou que cerca de 75 mil pessoas ainda estão desabrigadas um mês após violentos conflitos no sul do Quirguistão, que devastou as casas de quase 400 mil pessoas, obrigando muitas delas a ir para o país vizinho Uzbequistão.
Nas cidades de Osh e Jalalabad, onde a violência explodiu no mês passado, a situação é calma, mas a Porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, disse aos repórteres em Genebra que há dúzias de “pontos de checagem” da polícia. As duas cidades também permanecem sob um restrito toque de recolher à noite. “Esse toque de recolher está impondo dificuldades para as pessoas sem documentos pessoais, e há freqüentes alegações de assédio policial”, acrescentou a Porta-voz.
Nas últimas semanas, o ACNUR e seus parceiros ouviram milhares de pessoas, durante o monitoramento e vistorias aos abrigos. “No auge da crise, estima-se que 400 mil pessoas foram afetadas”. Atualmente, 75 mil pessoas – incluindo aqueles que estão com medo de voltar porque suas casas foram destruídas – ainda precisam de assistência para moradia.
A perda de documentos pessoais, incluindo certidão de nascimento, passaportes e documentos que comprovem a posse da terra, é comprovadamente um grande problema, apontou o ACNUR. Em Osh, por exemplo, a agência viu uma família de 12 membros que havia perdido todos os seus documentos enquanto fugia – e agora, sem nada para confirmar sua identidade, está tendo dificuldade para conseguir novos documentos.
O ACNUR e seus parceiros estão aconselhando as pessoas sobre seus direitos e sobre os procedimentos para a aquisição de documentação, além de discutir como melhorar a reemissão de documentos com o Serviço de Registros do Estado. A maioria das pessoas está trabalhando para recuperar suas casas, mas o trabalho é importante e a ajuda do Governo e da comunidade internacional é fundamental, disse a agência. O ACNUR e as autoridades do Quirguistão acordaram sobre a reconstrução imediata de 550 casas em Jalalabad e Osh, entre outras ações imediatas apoiadas pela agência.