Segundo a missão conjunta da ONU e da União Africana na região, tais medidas de segurança do governo sudanês têm gerado alarme e ansiedade entre os deslocados nos campos.

Mulher repousa em seu acampamento para deslocados próximo a Kalma Nyala, no sul de Darfur. Foto: ONU/Albert González Farran
A Missão Conjunta das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID) expressou nesta quinta-feira (14) sua profunda preocupação com as inspeções de segurança, realizadas recentemente pelo governo sudanês em vários acampamentos de deslocados internos em Nyala e cidades próximas ao sul de Darfur.
De acordo com a UNAMID, as inspeções de segurança estão sendo realizadas como parte de uma campanha mais ampla das autoridades no sul de Darfur, para enfrentar o alto nível de criminalidade no país. No entanto, tais medidas têm gerado alarme e ansiedade entre os deslocados nos campos.
A Missão afirmou ter tomado várias medidas para mitigar o impacto dessas operações sobre a população civil nos acampamentos, como o acompanhamento do julgamento de pessoas detidas pela posse de armas e drogas ilegais. Além disso, ela está em contato com as autoridades locais no sul de Darfur, de acordo com o mandato de proteção dos civis, para exigir que, se houver uma necessidade de controles seletivos, que estes sejam realizadas em coordenação com os líderes do acampamento e da Missão.
O representante especial da UNAMID, Mohamed Ibn Chambas, disse que, embora o governo sudanês tenha o direito de perseguir criminosos e prendê-los, também deve garantir que as atividades sejam realizadas respeitando os direitos humanos. Além disso, lembrou que qualquer acampamento que abriga infratores que possuem armas viola o direito internacional humanitário.
Chefe da missão de paz em Darfur pede renovação do mandato da missão
O chefe da UNAMID disse durante coletiva de imprensa realizada em Cartum, capital do Sudão, que o combate entre as forças governamentais e grupos armados diminuiu consideravelmente nos últimos meses.
No entanto, o sofrimento das pessoas deslocadas internamente é agravado pela reduzida presença de agentes humanitários.
“Hoje, temos um longo caminho no sentido de concluir essas reformas, apesar dos impedimentos e da natureza de constante mudança do conflito em Darfur. Estamos ansiosos pela renovação do mandato da missão”, afirmou Mohamed Ibn Chambas.
O representante ressaltou que a continuação da missão, aprovada em 2007 com o objetivo de proteger os civis e de implementar o acordo de paz de Darfur, será capaz de melhor servir e apoiar a população na busca de paz e prosperidade.