Novos combates em áreas antes pacíficas, insegurança alimentar e grave escassez de financiamento da ajuda humanitária preocupam o ACNUR. Chefe da ONU elogiou progresso político e pediu implementação de acordo que busca fim do conflito.

Grupo de refugiados do Sudão do Sul em um campo em Uganda. Foto: UNICEF/Wandera
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) expressou na última semana “extrema preocupação” com uma combinação de novos combates em áreas antes pacíficas, insegurança alimentar e grave escassez de financiamento da ajuda humanitária, que continuam a causar um agravamento da situação no Sudão do Sul para muitos civis.
Recentes combates entre as forças do governo e da oposição em Bahr al Ghazal Ocidental desalojou mais de 96 mil pessoas para a cidade de Wau, no noroeste do país, disse a porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Ariane Rummery, a jornalistas em Genebra. Ela observou que os países vizinhos estão relatando o aumento dos fluxos de refugiados.
“Com o Plano Regional de Resposta de Refugiados financiado em apenas 8%, muitos serviços que salvam vidas estão ameaçados”, disse Rummery. “O ACNUR está extremamente preocupado.”
A porta-voz disse que cerca de 52 mil sul-sudaneses fugiram para o Sudão desde o final de janeiro, superando as projeções de planejamento para 2016. Atualmente, os refugiados estão principalmente em Darfur Leste e Darfur Sul, bem como em Kordofan Ocidental.
Distribuições de itens não alimentares do ACNUR por meio de caminhão em Darfur Leste tiveram início na semana passada (20), enquanto outras já foram realizadas para todos os recém-chegados em Darfur Sul e para muitos em Kordofan Ocidental, disse ela.
Rummery observou que o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) tem distribuído rações alimentares suficientes para um mês para os recém-chegados em Darfur Leste e Darfur Sul, e está preparado para iniciar as distribuições em Kordofan Ocidental, precisando apenas da autorização de segurança por parte das autoridades locais.
Juntamente com as agências parceiras, um plano de resposta de três meses foi preparado para acomodar um adicional de 120 mil recém-chegados antes de junho.
Além disso, a porta-voz do ACNUR disse que Uganda tem visto um forte aumento nas chegadas de refugiados do Sudão do Sul desde janeiro, chegando a até 800 pessoas por dia. Ao todo, 28 mil sul-sudaneses – 86% dos quais mulheres e crianças – têm procurado refúgio em Uganda. Outros países que recebem refugiados sul-sudaneses são a Etiópia, a República Democrática do Congo, o Quênia e a República Centro-Africana, entre outros.
ONU elogia decisão do governo de aceitar proposta de retorno de vice-presidente
Elogiando a decisão do governo do Sudão do Sul de aceitar a proposta sobre as modalidades para o retorno do vice-presidente Riek Machar ao país, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou na última sexta (22) a esperança negócio de que o acordo possa permitir a rápida formação do governo transitório de unidade.
De acordo com um comunicado emitido pelo porta-voz de Ban, o acordo foi feito por meio de esforços do chamado Comitê Conjunto de Monitoramento e Avaliação (JMEC), juntamente com parceiros regionais e internacionais.
“O secretário-geral está esperançoso de que isso permitirá a rápida formação do Governo de Transição de Unidade Nacional, bem como a plena implementação do acordo de paz do país”, disse o comunicado, acrescentando que a manutenção de um espírito de cooperação é crucial para que o país comece a reverter os anos de destruição trazidos pelo conflito.
Ban Ki-moon instou Machar a retornar para a capital Juba “sem demora e sem quaisquer outras condições que possam pôr em risco o frágil processo de paz e prolongar o sofrimento do povo do Sudão do Sul”.
“Ele insta todos os parceiros regionais e internacionais a apoiar ativamente a continuação da implementação do acordo de paz”, destacou o comunicado.
O secretário-geral ressaltou a importância de estabelecer rapidamente o governo de transição, parte de um acordo de paz assinado em agosto do ano passado tanto pelo presidente Salva Kiir quanto por Machar, que fora destituído do cargo de vice.
No início do mês (7) o Conselho de Segurança considerou que a situação no país continua representando uma “ameaça contínua à paz e segurança regionais” e renovou, até 1o de junho, o seu regime de sanções impostas em 2015 contra “aqueles que bloqueiam a paz no país”, incluindo a proibição de viajar e o congelamento de seus ativos.
Por unanimidade, os 15 membros do órgão da ONU também prorrogaram, até 1o de julho, o mandato do Grupo de Especialistas que supervisionam as sanções.
O Conselho disse, no entanto, que o Sudão do Sul viu alguns progressos, como a implementação das medidas de segurança de Juba e o retorno de alguns membros do Exército de Libertação do Povo do Sudão em Oposição (SPLA-IO) para a capital.
O órgão da ONU lamentou que as medidas previstas no texto anterior ainda não haviam sido integralmente cumpridas. O Conselho de Segurança instou “veementemente” todas as partes a aplicá-las, assim como pediu que seja plenamente implementado o acordo que busca resolver o conflito no país.