ONU alerta para aumento ‘alarmante’ de ataques suicidas por mulheres e meninas na Nigéria

De janeiro ao meio de maio de 2015, já foram registrados 27 casos desse tipo de incidente, um a mais que todo ano de 2014, de acordo com o UNICEF.

Crianças em uma sala de aula barraca fornecida pelo UNICEF, no acampamento Gire 2 para as pessoas deslocadas internamente, perto de Yola, capital de Adamawa, Nigéria. Foto: UNICEF / Sebastian Rich

Crianças em uma sala de aula barraca fornecida pelo UNICEF, no acampamento Gire 2 para as pessoas deslocadas internamente, perto de Yola, capital de Adamawa, Nigéria. Foto: UNICEF / Sebastian Rich

A região nordeste da Nigéria tem testemunhado um aumento acentuado em ataques suicidas que envolvem mulheres e meninas este ano, advertiu nesta terça-feira (26) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), convocando o governo do país a transformar a segurança e o bem-estar das crianças uma prioridade política.

“Estas crianças não estão instigando esses ataques suicidas; elas são usadas intencionalmente por adultos da maneira mais horrível”, disse, em comunicado, o representante do UNICEF na Nigéria, Jean Gough, sublinhando que “elas são antes de tudo vítimas – não criminosas”.

Segundo o UNICEF, o número de ataques realizados até agora este ano já ultrapassou o número total de incidentes desse tipo em 2014.

“Em 2014, houve 26 incidentes de ataques suicidas registrados, mas durante os primeiros cinco meses de 2015, 27 incidentes já foram registrados (até meados de maio)”, informou Laurent Dutordoir, especialista do UNICEF em proteção à criança em Abuja, Nigéria. “Pelo menos 75% dos ataques suicidas foram fortemente indicados como tendo sido efetuados por mulheres e crianças”.

O UNICEF mostrou sua preocupação que o aumento do uso de crianças-bomba possa levá-las a serem vistas como potenciais ameaças. Uma realidade que poderia aumentar ainda mais o risco daquelas recrutadas por grupos armados, podendo ser alvo de retaliação e impedidas de reabilitação e reintegração em suas comunidades. Para responder a este cenário, o UNICEF está aumentando aumentando sua assistência para reduzir as vulnerabilidades.