A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) alertou para o aumento do número de assassinatos e de ameaças contra defensores dos direitos humanos e líderes comunitários na região da Costa do Pacífico da Colômbia. Na maior parte dos casos, as vítimas pertencem às comunidades indígenas e afro-colombianas.
A implementação do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), anunciado em 2016, significou muitos desafios para as comunidades afetadas pela presença de grupos armados e de atividades ilícitas como tráfico de drogas e extração ilegal de minérios. O vazio de poder deixado pela desmobilização das FARC transformou muitas áreas em territórios em disputa entre grupos armados ilegais, novos e antigos, de acordo com a agência da ONU.

Foto de 2008 mostra meninas afro-colombianas deslocadas no bairro de Famílias em Ação, na cidade colombiana de Tumaco. Foto: ACNUR/ Marie-Helene Verney
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) disse na sexta-feira (24) estar preocupada com o aumento do número de assassinatos e de ameaças contra defensores dos direitos humanos e líderes comunitários na região da Costa do Pacífico da Colômbia. Na maior parte dos casos, as vítimas pertencem às comunidades indígenas e afro-colombianas.
Em meados de outubro, José Jair Cortés, líder da comunidade afro-colombiana de Alto Mira e Fronteira, em Tumaco, foi assassinado por um grupo armado desconhecido. Desde então, de acordo com o escritório do ACNUR na Colômbia, ao menos sete líderes foram assassinados e muitos outros receberam ameaças.
No total, foram registrados 78 óbitos de líderes e membros de organizações sociais neste ano, e ao menos 13 suspeitas de assassinatos. De qualquer perspectiva, a situação é alarmante, de acordo com a agência da ONU.
Cortés já estava sob proteção das autoridades no momento de seu assassinato devido às várias ameaças que estava recebendo. Ele foi um dos líderes do Conselho Comunitário de Afro-Colombianos, grupo afetado por deslocamento massivo e isolamento.
Cerca de 1,5 mil pessoas foram deslocadas em 2017 e muitas outras vivem em situação de isolamento, o que significa que não podem ter acesso a plantações ou sair para pescar e satisfazer suas necessidades básicas e de subsistência.
Entre os dias 7 e 12 de novembro, mais de 46 famílias foram deslocadas à força dos municípios de Barbacoas e Tumaco (departamento de Nariño). Os líderes destas áreas acreditam que o número real de vítimas pode ser muito maior, já que as pessoas têm medo de denunciar os abusos.
A implementação do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), anunciado em 2016, significou muitos desafios para as comunidades afetadas pela presença de grupos armados e de atividades ilícitas como tráfico de drogas e extração ilegal de minérios.
O vazio de poder deixado pela desmobilização das FARC transformou muitas áreas em territórios em disputa entre grupos armados ilegais, novos e antigos. A demora e os problemas na implementação local das principais cláusulas do acordo, como a substituição voluntária de áreas cultivadas de maneira ilícita, ou o desenvolvimento local, aumentaram a incerteza nas comunidades, onde a presença do Estado ainda é fraca.
A proteção das populações mais afetadas, incluindo as pessoas internamente deslocadas, é crucial para os esforços na consolidação da paz na Colômbia, de acordo com a agência das Nações Unidas.
O ACNUR aconselha as autoridades colombianas a implementar medidas de proteção adicionais, tanto para pessoas em risco, como para as comunidades afetadas. Estas medidas devem incluir a presença policial em áreas específicas, o estabelecimento de uma infraestrutura de telecomunicações para melhorar as comunicações e outras medidas.
Do mesmo modo, é importante fazer consultas às autoridades e comunidades afro-colombianas e indígenas em vários departamentos afetados pela presença contínua de grupos armados ilegais, a fim de responder eficazmente aos desafios do acordo de paz, segundo a agência da ONU.