No norte do país, pessoas vindas da Somália e da Etiópia são vítimas de grave abuso físico e exploração econômica e sexual. Nações Unidas pedem por ações da comunidade internacional.

Refugiados somalis esperam na costa do Mar Vermelho do Iêmen o transporte para a cidade de Adem. Foto: ACNUR/R. Nuri
Milhares de migrantes pobres da Etiópia e da Somália estão presos no norte do Iêmen em condições deploráveis, vítimas de abuso físico grave e forte exploração econômica e sexual, disse nesta terça-feira (16) o Coordenador Humanitário da ONU no Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed. O coordenador pediu à comunidade internacional medidas urgentes para combater o problema e defender os direitos humanos dos que saíram de seus países em direção ao território iemenita.
Ahmed afirmou que “muitos deles [os migrantes], inclusive crianças, estão presos sob circunstâncias extremamente difíceis. Sua situação deve ser urgentemente resolvida”.
Entre 15 mil e 25 mil migrantes em situação irregular estão presos em torno de Haradh, cidade no norte do Iêmen, enquanto outros estão em Áden, no sul. Eles dependem inteiramente da generosidade dos iemenitas locais e das organizações humanitárias, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Sociedade do Crescente Vermelho do Iêmen (SCVI) para cobrir cesta básica, assistência médica e as necessidades de abrigo.
No ano passado, um recorde de 107.500 refugiados e migrantes africanos, principalmente etíopes e somalis, fizeram a perigosa viagem em barcos superlotados para o Iêmen, o maior fluxo desde 2006. Naquele ano, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) começou a compilar as estatísticas, na esperança de encontrar melhores condições de vida na Península Árabe.