ONU alerta para crise de energia em Gaza

Coordenador humanitário da ONU afirma que desligamento da principal usina elétrica local afetará serviços essenciais na área de saúde e saneamento básico para 1,7 milhão de pessoas.

Linhas de transmissão de energia elétrica na Cidade de Gaza. Foto: Banco Mundial/Natalia Cieslik

Linhas de transmissão de energia elétrica na Cidade de Gaza. Foto: Banco Mundial/Natalia Cieslik

Um funcionário humanitário das Nações Unidas manifestou preocupação na sexta-feira (1) com o desligamento da principal usina elétrica de Gaza na sexta-feira (1) devido à escassez de combustível, advertindo sobre seu impacto nos já vulneráveis 1,7 milhão de habitantes que vivem na Faixa de Gaza.

“Nos últimos anos, Gaza está funcionando com menos da metade da eletricidade que necessita. O desligamento da usina hoje e a escassez de combustível relacionados afetará todos os serviços essenciais, como hospitais, clínicas, esgotos e estações de bombeamento de água”, disse o coordenador humanitário da ONU, James W. Rawley.

“Isso também significa que 1,7 milhão de pessoas em Gaza sofrerão interrupções de até 16 horas por dia de energia”, advertiu em um comunicado à imprensa.

A eletricidade local é fornecida através de linhas israelenses e egípcias, mas a Usina de Gaza fornece cerca de 30% da oferta total de energia de Gaza.

“Para o benefício da população civil de Gaza, é essencial que seja encontrada uma forma de permitir que a retomada das operações e que seja enfrentada mais amplamente a crise crônica de energia”, disse Rawley.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) também destacou a seriedade do desligamento e seu impacto sobre uma população já vulnerável.

“O fechamento da usina de Gaza terá consequências graves sobre a situação humanitária na Faixa de Gaza, que já está sofrendo com sérios danos na área de saneamento”, disse o porta-voz da Agência, Adnan Abu Hasna, em uma entrevista à Rádio ONU.

Ele ressaltou a necessidade de se encontrar uma solução urgente, alertando que não fazê-lo apenas contribuiria para o sofrimento dos moradores de Gaza.

A UNRWA – que presta assistência e proteção para cerca de 5 milhões de refugiados da Palestina registrados nos territórios ocupados – não tem capacidade financeira para ajudar a aliviar o problema.

“Nós do UNRWA estamos sofrendo com grandes déficits orçamentários, e o combustível que temos é para as instalações e veículos da Agência”, disse Abu Hasna. “Nós não temos agora a possibilidade de fornecer combustível aos vários setores em Gaza, como fizemos em 2009, quando os fundos do programa de emergência nos permitiam isso.”