Os combates terrestres entre as partes em conflito passou a ser a principal causa de mortes e ferimentos no Afeganistão, ultrapassando o uso de dispositivos explosivos improvisados.

A diretora de direitos humanos da UNAMA, Georgette Gagnon, apresenta o relatório sobre proteção de civis durante uma coletiva de imprensa em Cabul. Foto: Fardin Waezi/UNAMA
Os combates terrestres entre as partes em conflito passou a ser a principal causa de mortes e ferimentos no Afeganistão, ultrapassando o uso de dispositivos explosivos improvisados nos primeiros seis meses de 2014, concluiu a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) em seu Relatório Semestral sobre Proteção de civis em Conflitos Armados, elaborado em coordenação com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), apresentado nesta quarta-feira (9) em Cabul.
“A natureza do conflito do Afeganistão está mudando em 2014, com uma escalada de confrontamentos terrestres em áreas habitadas por civis”, disse Ján Kubis, representante especial das Nações Unidas para o secretário-geral no Afeganistão e chefe da UNAMA. “O impacto nos civis, incluindo os afegãos mais vulneráveis, está sendo devastador.”
Desde de 01 de janeiro até 30 de junho de 2014, a UNAMA documentou 4.853 incidentes relacionados com civis, 24% adicionais comparado ao mesmo período de 2013. Essa contagem incluí 1.564 mortes de civis, com um acréscimo de 17%, e 3.289 de feridos, representando um aumento de 28%.
“Mais esforços devem ser feitos para proteger os civis dos perigos do conflito e garantir a responsabilização para aqueles que de forma deliberada e indiscriminada os matam”, disse a diretora de direitos humanos da UNAMA, Georgette Gagnon.
O relatório ressalta que enquanto os incidentes relacionados com estes dispositivos também aumentaram a níveis sem precedentes comparado com o mesmo período em 2013, as mortes e ferimentos causados por morteiros, lança-granadas e pequenas armas de fogo usados em combates terrestres saltaram drasticamente à medida que a frequência e a intensidade desses incidentes aumentaram em 2014, particularmente em áreas com populações civis concentradas.
“Em 2014, os combates estão acontecendo cada vez mais em comunidades, lugares públicos e perto de casas de afegãos normais, causando mortes e ferimentos em mulheres e crianças numa espiral crescente e perturbadora”, disse Gagnon.
“Essa tendência mostra que os elementos antigoverno são responsáveis por grande parte dos incidentes com civis no conflito”, disse o representante especial Kubis. “Enquanto todas as partes em conflito – includindo as forças de segurança nacionais afegãs – devem fazer o possível para cumprir com as suas obrigações dentro do direito internacional para evitar causar danos aos civis, o ônus recaí sobre o Talibã e outras forças antigoverno de reverter esse quadro.”