ONU alerta para risco de aumento de violência contra comunidades cristãs no Egito

Assessores das Nações Unidas sobre a prevenção do genocídio e sobre a responsabilidade de proteger expressam grave preocupação com ataques contra minorias religiosas.

Cristãos e muçulmanos realizam manifestação no Cairo, Egito, contra a matança de civis cristãos em confrontos com policiais militares (Out/2011). Foto: UN news

Cristãos e muçulmanos realizam manifestação no Cairo, Egito, contra a matança de civis cristãos em confrontos com policiais militares (Out/2011). Foto: UN news

Os assessores especiais da ONU sobre a prevenção do genocídio, Adama Dieng, e sobre a responsabilidade de proteger, Jennifer Welsh, expressam grave preocupação sobre a violência ocorrida na manhã da quarta-feira (14), alegadamente envolvendo o uso excessivo de força por agentes de segurança egípcios contra manifestantes na cidade de Cairo.

Com o número final de vítimas e feridos ainda sem confirmação, os assessores especiais lamentaram a “grande perda de vidas” e manifestaram preocupação com a intensificação contínua da violência no país.

Ambos observaram preocupação especial com uma série de igrejas cristãs e instituições que têm sido alvo dos ataques, inclusive nas províncias de Assiut, Fayoum, Minya e Sohag, supostamente em retaliação aos incidentes no Cairo.

“Nós pedimos que todos os egípcios ajam de forma responsável durante estes momentos difíceis e abstenham-se de usar a violência para expressar suas reivindicações, em especial mirando as minorias e instituições religiosas ou usando linguagem e incitando comportamentos que possam aumentar as tensões”, afirmaram.

Os assessores especiais observaram que comunidades cristãs foram vítimas de violência no passado, mais recentemente no dia 5 de julho em Luxor, e alertam para o risco de aumento da violência contra essas comunidades se não forem tomadas medidas para garantir a sua proteção.

“Chamamos todos os atores políticos e sociais a abandonar estratégias de enfrentamento, se engajar construtivamente para garantir o respeito à diversidade e tomar todas as medidas possíveis para facilitar a resolução pacífica dos conflitos no país.”

Os assessores especiais também solicitaram às autoridades egípcias que conduzam uma “investigação rápida, independente e eficaz” sobre as circunstâncias dos trágicos acontecimentos no Cairo e dos ataques contra as minorias religiosas e instituições. Eles reiteraram que todos os perpetradores de violência devem ser responsabilizados.

“O Egito está em um momento crítico. A fim de evitar qualquer nova intensificação da violência, é fundamental garantir o respeito pelos direitos humanos e igualdade de proteção de todas as pessoas, independentemente da sua filiação política e religiosa.”