Vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Eliasson, que está em Kiev, descreve país como “à beira de um colapso” e pede fim da “retórica provocativa” que alimenta as tensões internas.

Confrontos entre manifestantes e a polícia na capital da Ucrânia, Kiev (Arquivo). Foto: Agência Lusa via Agência Brasil
Descrevendo a Ucrânia como “à beira de um colapso“, o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, pediu pelo fim da “retórica provocativa” que está alimentando as tensões no país e reiterou a disponibilidade das Nações Unidas para facilitar um diálogo significativo entre todas as partes-chave para ajudar a solucionar a crise.
“Embora a situação em Kiev esteja estável, tem havido relatos perturbadores de algumas partes do país, principalmente na Crimeia”, disse Eliasson ao Conselho de Segurança da ONU por videoconferência nesta quinta-feira (6). Desde segunda, ele está na capital ucraniana em missão urgente para tentar acalmar a situação e avaliar as condições para uma solução pacífica.
Após meses de agitação política, desencadeada pela decisão do Governo, em novembro de 2013, de não assinar um acordo que ampliaria a integração com a União Europeia, Kiev explodiu em manifestações violentas e confrontos nas ruas no fim de janeiro, culminando com a retirada pelo Parlamento do presidente Viktor Yanukovich. As tensões têm sido crescentes na região da Crimeia, onde foi relatado o envio de tropas russas adicionais e veículos blindados.
Em nota, Eliasson disse que a Ucrânia está “enfrentando uma série de desafios rápidos e graves”. Na Crimeia, ele citou exemplos como bloqueios de bases militares ucranianas por homens armados e sem insígnias, além de tentativas de intimidar os enviados internacionais, incluindo o assessor especial do secretário-geral da ONU, Robert Serry, que foi ameaçado na quarta-feira por diversos homens não identificados que exigiram que ele deixasse a região.
Eliasson disse ter ressaltado, em todas as suas reuniões na Ucrânia, a necessidade urgente de diminuir a escalada de violência e de uma solução política para a crise atual do país. Além de uma diminuição da escalada militar, ele disse que há uma necessidade de acabar com a retórica provocadora que só serviu para aumentar as tensões. Atendendo ao pedido do chefe da ONU, Ban Ki-moon, o secretário-geral assistente para Direitos Humanos, Ivan Šimonović, chegou em Kiev nesta quinta-feira para avaliar a situação no país.
Eliasson enfatizou a necessidade de unidade, diversidade e inclusão na Ucrânia, bem como a importância de que todas as partes do país e todos os segmentos da população se sintam participando da construção do seu futuro. Ele também observou que Ban continua ativamente engajado nas questões que envolvem o país, oferecendo seu apoio aos principais atores para que encontrem urgentemente uma solução política.
O vice-secretário-geral salientou, ainda, a necessidade de uma solução que beneficiará todo o povo da Ucrânia e da região, garantindo a manutenção da paz e da segurança internacional.