ONU alerta para suspeita de sarampo entre refugiados na Etiópia

Em apenas um dos campos, a média é de dez crianças – com idade inferior a cinco anos – mortas por dia. Em Dollo Ado, foram registrados 150 casos suspeitos de sarampo.

A taxa de mortalidade entre refugiados somalis que entram na Etiópia atingiu níveis alarmantes de acordo com a agência para refugiados das Nações Unidas. Embora a desnutrição seja a principal preocupação, existe a suspeita de que um surto de sarampo provoque aumento no indicador. Em apenas um dos campos, dez crianças com idade inferior a cinco anos morrem todos os dia.

Essa foi a média de mortalidade infantil registrada no campo de Kobe desde a sua abertura em junho. O local abriga 250 mil pessoas e está situado em Dollo Ado, onde foram identificados 150 casos de suspeita de sarampo. Mais três campos para refugiados compõem o complexo, localizado no sul da Etiópia. Até o momento foram confirmadas 11 mortes relacionadas à doença.

O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) concluiu na última segunda-feira (15/08) uma campanha de vacinação contra o sarampo, dirigida às crianças entre seis meses e 15 anos na área mais atingida. O porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, informou que a vacinação continuará em outros abrigos. “A combinação de doenças e desnutrição foi o que causou taxas de mortalidade semelhante em crises de fome anteriores na região”.

Uma missão conjunta liderada pelo ACNUR e o Governo, estima em 17,5 mil o número de refugiados da Somália que já atravessaram a região do Gode e Afder na Etiópia nas últimas seis semanas. A maioria vêm de áreas rurais e, nos campos, pode ser a primeira vez que recebem assistência médica.

A missão conjunta expressou preocupação de que a falta de abrigo e cuidados de saúde, saneamento precário e a superlotação possam levar a surtos de doenças e recomendou que medicamentos essenciais sejam levados às pressas para a região.