ONU alerta que leste de Alepo, na Síria, pode ser ‘totalmente destruído’ em dois meses

O enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, alertou nesta semana que o leste da cidade de Alepo pode ser “totalmente destruído” até o fim desse ano, deixando milhares de mortos e forçando centenas de pessoas a fugir. De acordo com Staffan, somente nas últimas semanas 376 pessoas foram mortas na região – sendo metade delas crianças –, 1,2 mil ficaram feridas e vários hospitais foram destruídos.

A maioria dos sírios que permanecem em Alepo são pobres demais para sair e vivem nas carcaças dos blocos de apartamentos. Foto: Tom Westcott/IRIN

A maioria dos sírios que permanecem em Alepo são pobres demais para sair e vivem nas carcaças dos blocos de apartamentos. Foto: Tom Westcott/IRIN

O enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, alertou na última quinta-feira (6) que o leste da cidade de Alepo pode ser “totalmente destruído” em dois meses, deixando milhares de mortos e forçando centenas de pessoas a fugir.

De acordo com Staffan, somente nas últimas semanas, 376 pessoas foram mortas na região – sendo metade delas crianças –, 1.266 ficaram feridas e vários hospitais foram destruídos.

“Caso a situação continue nesse ritmo, vamos ver a destruição dessa região da cidade quando estivermos tentando comemorar o Natal e o fim do ano”, frisou Staffan, durante uma coletiva de imprensa em Genebra.

Ele também perguntou aos combatentes do grupo de oposição Al-Nusra Front, estimados em cerca de mil, se eles vão manter os civis reféns na cidade. “Mil de vocês estão decidindo o destino de cerca de 275 mil pessoas. Se vocês decidirem sair, com dignidade e com suas armas, para Idlib ou para qualquer outro lugar que queiram, eu estou pronto fisicamente para acompanhá-los.”

O conselheiro especial do enviado da ONU para a Síria, Jan Egeland, por sua vez, sublinhou que, além dos sitiados em Alepo, há muitos outros sírios sitiados – sob cerco militar completo – sem suprimentos humanitários e sem liberdade para deixar os locais.

“Essa situação é ilegal no âmbito do direito internacional e uma realidade para 861 mil sírios. Temos de ser impiedosamente honestos com nós mesmos. Não há dúvida de que estamos falhando com um número crescente de sírios neste momento”, ressaltou.

Observando que os agentes humanitários só foram capazes de alcançar áreas sitiadas por apenas cinco dias em setembro, Egeland disse estar preocupado que a situação se repita neste mês.

Ele acrescentou que, até o momento, a ONU não recebeu nenhuma resposta sobre o projeto de ajuda humanitária de outubro, que foi apresentado com muita antecedência.

Enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, durante coletiva de imprensa em Genebra. Foto ONU / Elma Okic

Enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, durante coletiva de imprensa em Genebra. Foto ONU / Elma Okic

A proposta de assistência deste mês prevê alcançar todas as áreas sitiadas e de difícil acesso, onde as pessoas estão em necessidade urgente.

Egeland apelou a todas as partes envolvidas no conflito que cessem as hostilidades urgentemente; permitam que os feridos sejam evacuados; bem como permitam que os comboios – que já estão preparados há semanas – possam prosseguir com sua missão humanitária emergencial.

Suspensão de negociações entre Rússia e EUA representa um sério retrocesso

Staffan de Mistura também ressaltou que suspensão das discussões bilaterais entre Estados Unidos e Rússia acerca da cessação das hostilidades representa um sério retrocesso.

Ele observou que Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG, na sigla em inglês) é uma entidade muito importante, e que a suspensão das negociações bilaterais entre os países “não deve e não vai” afetar a existência do grupo.

Além disso, Mistura enfatizou a importância de uma força-tarefa humanitária, bem como a possibilidade de um grupo que seria eficaz no suporte de uma futura cessação das hostilidades.