ONU alerta sobre abandono de embarcações transportando imigrantes no sudeste da Ásia

Autoridades malaias e indonésias estariam impedindo a entrada de barcos vindos de Mianmar e Bangladesh; número de pessoas tentando a travessia se aproxima de 25 mil.

As pessoas que arriscam suas vidas para deixar Mianmar e atravessar a Baía de Bengala embarcam em locais como este. Foto: ACNUR/ V. Tan

As pessoas que arriscam suas vidas para deixar Mianmar e atravessar a Baía de Bengala embarcam em locais como este. Foto: ACNUR/ V. Tan

A agência de refugiados das Nações Unidas disse que está “extremamente alarmada” com relatos que sugerem que as autoridades indonésias e malaias têm impedido a entrada de barcos que transportam numerosos migrantes de Mianmar e Bangladesh.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a marinha indonésia afirmou que tinha escoltado um barco para o mar na segunda-feira em um movimento que pode significar uma mudança na política geral do governo. Da mesma forma, a Agência de Repressão Marítima da Malásia anunciou na terça-feira (12) que iria proibir os navios estrangeiros de ancorar, a menos que eles estejam incapazes de navegar e afundando.

“A primeira prioridade é salvar vidas. Em vez de competir para evitar a responsabilidade, é fundamental que os Estados compartilhem a responsabilidade de desembarcar essas pessoas imediatamente”, disse Volker Türk, alto comissário assistente para proteção do ACNUR. “Travessias marítimas são um sintoma de desespero à medida que as pessoas são deixadas sem nenhuma outra escolha a não ser arriscar suas vidas. Ninguém deveria ter que colocar suas vidas nas mãos dos contrabandistas impiedosos”.

O comunicado de imprensa do ACNUR vem apenas uma semana depois que a agência publicou seu relatório “Movimentos Marítimos irregulares no Sudeste Asiático” que documenta um aumento alarmante no número de rohingya e bengaleses sendo contrabandeados para a Baía de Bengala e em direção da fronteira da Tailândia com a Malásia nos três primeiros meses de 2015.

Estimativas apontam que 25 mil pessoas estão cruzando uma das rotas marítimas mais perigosas do mundo. Além disso, o ACNUR estima que 300 pessoas morreram no mar no primeiro trimestre de 2015 como resultado da fome, desidratação ou abuso da tripulação dos barcos.