ONU: Apesar de crescimento das colheitas, desnutrição crônica persiste na Coreia do Norte

Mesmo com aumento de 5% na produção de alimentos, FAO e o PMA alertam para elevadas taxas de desnutrição durante os primeiros mil dias das crianças.

Agricultores durante colheiat na Coreia do Norte. Foto: FAO/Belay Derza Gaga

Agricultores durante colheiat na Coreia do Norte. Foto: FAO/Belay Derza Gaga

Uma nova avaliação feita pelas Nações Unidas constatou que as colheitas na Coreia do Norte estão em alta pelo terceiro ano consecutivo, mas alerta que a desnutrição crônica persiste.

Embora as taxas de desnutrição infantil venham caindo constantemente ao longo dos últimos 10 anos, as taxas de desnutrição durante os primeiros mil dias da vida de uma criança permanecem elevadas e deficiências de micronutrientes são de preocupação particular, alertaram a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Mundial da Alimentos (PMA) em um comunicado conjunto.

A Missão de Avaliação da Segurança Alimentar e da Colheita, realizada pelas duas agências sediadas em Roma, visitou todas as nove províncias agrícolas em setembro passado e no início de outubro, próximo à principal colheita anual de cereais.

Foi constatado que a produção total de alimentos é estimado em cerca de 5,03 milhões de toneladas em 2013, o que representa aumento de aproximadamente 5% em relação ao ano anterior. No entanto, a situação de segurança alimentar ainda é “insatisfatória”, com 84% das famílias com consumo de comida no limite ou pobre.

A missão observou desafios de logística imensos para o sistema público de distribuição de comida e expressou preocupação sobre a pontualidade e consistência das distribuições. Acredita-se que mercados e mecanismos informais de troca, e outras formas de intercâmbio, estão ganhando importância para o acesso à comida por famílias, particularmente em áreas urbanas.

“Apesar de uma melhoria contínua na produção agrícola, o sistema alimentício na Coreia do Norte permanece altamente vulnerável a choques e escassez sérias existem particularmente na produção de comidas ricas em proteína”, disse Kisan Gunjal, economista da FAO e vice-líder da missão. “No interesse do aumento do consumo de proteínas e de reverter a tendência de queda da produção de soja, o preço pago aos produtores pela soja deveria ser aumentado.”