ONU aprova missão de paz no Mali

Conselho de Segurança aprovou envio da tropa de capacetes azuis a partir de 1º de julho. Objetivo será ajudar o governo de transição e estabilizar o país.

Foto: OCHA/Nicole Lawrence

Foto: OCHA/Nicole Lawrence

O Conselho de Segurança aprovou nesta quinta-feira (25) a criação da Missão das Nações Unidas para o Mali. A decisão de implementar a operação foi tomada por unanimidade pelos 15 Estados-Membros.

A missão — oficialmente Missão das Nações Unidas de Estabilização Multidimensional Integrada no Mali (MINUSMA) — terá a partir de 1º de julho uma tropa de 11,2 mil militares, incluindo batalhões de reserva “capazes de serem deslocados rapidamente por todo o país”. Uma força policial de 1,44 mil integrantes também será enviada para o país da África Ocidental. A missão substituirá a força africana (AFISMA).

A resolução autoriza os capacetes azuis “a usar todos os meios necessários” para realizar as tarefas de estabilização relacionadas com a segurança, proteção de civis, funcionários da ONU e bens culturais, bem como criação de condições para a prestação de ajuda humanitária.

“Sabemos que vai ser um ambiente bastante volátil”, disse o Subsecretário-Geral para Operações de Paz, Hervé Ladsous, a jornalistas após a aprovação. “Esta não é uma missão de fiscalização. Esta não é uma operação antiterrorista”, frisou.

A tarefa principal da MINUSMA é apoiar o processo político no Mali, em estreita coordenação com a União Africana e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS).

“A missão vai ajudar as autoridades do Mali na implementação do roteiro de transição para a plena restauração da ordem constitucional, a governança democrática e a unidade nacional”, disse Ladsous. “Isso inclui a realização de eleições em julho, a construção da confiança e a facilitação de reconciliação a nível nacional e local.”

Desde janeiro do ano passado, o Mali foi marcado por confrontos entre rebeldes islâmicos e tropas do governo. No princípio de 2013, o governo lançou uma ofensiva, apoiada por forças francesas, que resultou na recuperação de várias cidades do norte, incluindo Tombouctou.

Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a escassez extrema de alimentos afeta 20% das famílias no norte do Mali. Além disso, cerca de 69% da população vive abaixo da linha de pobreza e mais de um quinto das crianças em idade escolar não frequentam aulas, três quartos das quais são meninas.

Os Estados-Membros da ONU receberam pedidos para fornecer soldados e forças policiais com recursos e equipamentos adequados para “melhorar a capacidade de operação da MINUSMA”.