ONU: Ataques terroristas não podem servir de pretexto para fechar portas a refugiados

Em reunião da Assembleia Geral, representantes da ONU afirmam que atentados de Paris e Beirute tornam ainda mais clara a necessidade de atender a refugiados que fogem de conflitos.

Família espera sua primeira refeição quente em mais de dois meses. Eles chegaram no campo de refugiados de Dosseye, depois de fugirem da violência na República Centro-Africana. Foto: ACNUR/C.Fohlen

Família espera sua primeira refeição quente em mais de dois meses. Eles chegaram no campo de refugiados de Dosseye, depois de fugirem da violência na República Centro-Africana. Foto: ACNUR/C.Fohlen

Em reunião especial da Assembleia Geral das Nações Unidas, convocada para encontrar respostas à crise de refugiados global nesta quinta-feira (19), os representantes da ONU defenderam uma gestão do fluxo de refugiados que priorize os direitos humanos e não feche as portas para os deslocados após os atentados em Paris e Beirute.

O encontro teve o objetivo de discutir formas de financiar e avançar em uma “Resposta Abrangente para a Crise Global Humanitária de Refugiados”, que possibilite oferecer ajuda a curto, médio e longo prazo a esta população. “Como podemos equilibrar as necessidades de segurança e as obrigações morais e legais para proteger refugiados e outros que precisam de proteção?”, afirmou o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson.

Para Eliasson, os refugiados, que fogem da violência causada por conflitos, não podem ser punidos duas vezes ao ser alvo de preconceito nos países em que chegam. Ele lembra que, desde a segunda guerra mundial, nunca tantas pessoas foram forçadas a se deslocar, alcançando a marca de mais de 60 milhões de pessoas.

“De forma alguma esses ataques reduzem as obrigações morais e legais da comunidade internacional em relação aos deslocados. Ao contrário, eles servem para destacar ainda mais por que tantas pessoas estão arriscando suas vidas para obter proteção internacional e porque nós – a comunidade internacional – não podemos falhar com eles uma segunda vez”, acrescentou o presidente da Assembleia Geral da ONU, Mogens Lykketoft.

Eliasson destacou a necessidade de financiamento para gerir a crise, pedindo também por melhores centros de recepção, soluções criativas para realocar os refugiados, cooperação de empresas privadas, vistos humanitários, reunificação da família e outros meios de integração e acesso por parte dos refugiados ao mercado de trabalho.

Como forma de prevenção ao deslocamento forçado, Lykketoft afirma que existem soluções a curto, médio e longo prazo. “Resolução de conflitos, prevenção do extremismo violento e apoio ao desenvolvimento a longo prazo são aspectos centrais dessa resposta abrangente”, pontuou, acrescentando que é necessário financiamento para ação humanitária e apoio aos países que mais precisam lidar com as consequências da crise global.