Relatório afirma que mulheres dos países que estão se recuperando de conflitos têm pouca participação política para gerir os recursos naturais.

Agricultora árabe da tribo Jawama’a em El Darota, Kordofan do Norte, Sudão. Foto: PNUMA/Grant Wroe-Street
Dar às mulheres acesso e controle sobre os recursos naturais, como terra, água, florestas e minerais, é essencial para assegurar que os países devastados pela guerra possam alcançar a paz em longo prazo, afirmou um relatório divulgado na quarta-feira (6) e produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), pela ONU Mulheres, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pelo Escritório da ONU de Suporte à Construção da Paz (em inglês, PBSO).
O documento “Mulheres e os recursos naturais: Desbloqueando o potencial para a construção da paz” diz que as mulheres dos países afetados por conflitos são muitas vezes as principais responsáveis pelo abastecimento de água, alimentos e energia das famílias e comunidades, porém são muitas vezes excluídas de ter posse de terra, benefícios sobre os recursos naturais ou participação sobre a gestão dos recursos.
O estudo argumenta que não aproveitar as oportunidades apresentadas pelo papel das mulheres na gestão dos recursos naturais pode perpetuar a desigualdade e prejudicar a recuperação pós-conflito, já que as mulheres têm um potencial inexplorado para a revitalização econômica.
Já uma pesquisa lançada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que, se as mulheres agricultoras tiverem o mesmo acesso que os homens a bens e finanças, a produção de suas fazendas iria aumentar entre 20% e 30%.
Nos países afetados por conflitos, onde o papel das mulheres na agricultura tende a se expandir, isso poderia aumentar a produção agrícola total e fortalecer significativamente a recuperação e a segurança alimentar.
O relatório do PNUMA pede que os governos e a comunidade internacional intervenham para aumentar o engajamento político e econômico das mulheres na gestão dos recursos naturais e acabar com a discriminação que as mulheres enfrentam no acesso, posse e uso de recursos naturais de forma sustentável e produtiva.