ONU avalia a imposição de sanções nas controversas eleições da Costa do Marfim

As Nações Unidas levaram adiante nesta segunda-feira (13/12) a imposição de sanções a qualquer pessoa que interfira no processo de paz na Costa do Marfim, onde o atual Presidente, Laurent Gbagbo, se recusa a sair do governo, mesmo após o reconhecimento internacional da vitória de Alassane Ouattara como novo Presidente do país.

As Nações Unidas levaram adiante nesta segunda-feira (13/12) a imposição de sanções a qualquer pessoa que interfira no processo de paz na Costa do Marfim, onde o atual Presidente, Laurent Gbagbo, se recusa a sair do governo, mesmo após o reconhecimento internacional da vitória de Alassane Ouattara como novo Presidente do país. A Missão das Nações Unidas na Costa do Marfim (UNOCI) organizou um Comitê de Monitoramento para registrar incidentes, ações e decisões que possam impedir o trabalho da Missão e de outros agentes internacionais envolvidos na restauração da paz no país.

As eleições presidenciais, realizadas em 28 de novembro, foram planejadas para serem o ponto mais alto de ajuda, mas acabaram gerando uma nova crise quando o Conselho Constitucional refutou a proclamação da Comissão Eleitoral Independente (CEI) – que declarou o direito de posse a Ouattara – alegando irregularidades em sua base, dando a vitória ao atual presidente.

Apresentando as razões da ONU para apoiar a posse de Outtara como presidente do maior exportador de cacau do mundo, o Representante Especial do Secretário-Geral, Y.J.Choi, rebateu publicamente as reclamações de Gbagbo sobre irregularidades, reafirmando a vitória de Outtara.

O Conselho de Segurança da ONU, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS), a União Africana e a União Européia, bem como outros países, reconheceram a vitória de Ouattara. Na quarta-feira (08/12) o Conselho reiterou sua vontade de impor medidas àqueles que dificultarem o trabalho de agências nacionais e internacionais.

Em uma coletiva de imprensa na capital comercial do país, Abidjan, o chefe da Divisão de Direitos Humanos da UNOCI, Simon Munzu, pediu à população da Costa do Marfim que evite quaisquer ações que impeçam a resolução da crise, que ele afirma “já ter durado tempo demais”. Ele disse também que o Comitê vai propor medidas concretas, incluindo a imposição imediata de sanções, e que levará em conta as sérias violações dos direitos humanos, incluindo o estímulo à violência, e a garantia da igualdade no acesso de comunicação para todos, considerando que os meios-não governamentais foram suspensos no país.

A Costa do Marfim foi dividida após uma guerra civil em 2002, que deixou o sul sob o controle do Governo e o norte sob o comando de rebeldes. A UNOCI conta atualmente com o apoio de mais de nove mil pessoas, e tem ajudado na reunificação do país desde 2003.