ONU: batalha em Mossul deve deslocar até 320 mil iraquianos, sobrecarregando agências humanitárias

Com até 680 mil civis ainda vivendo na parte ocidental de Mossul, no Iraque, as Nações Unidas alertaram no domingo (19) que quase metade desta população poderá deixar o local por causa dos atuais confrontos entre governo e os terroristas do Grupo Estado Islâmico. Segundo a ONU, a ajuda humanitária ‘será sobrecarregada até seus limites’.

Crianças que fugiram da parte ocidental de Mossul em centro para deslocados. Foto: ACNUR/Saif Al-Tatooz

Crianças que fugiram da parte ocidental de Mossul em centro para deslocados. Foto: ACNUR/Saif Al-Tatooz

Com até 680 mil civis ainda vivendo na parte ocidental de Mossul, no Iraque, as Nações Unidas alertaram no domingo (19) que quase metade desta população poderá deixar o local por causa dos atuais confrontos entre governo e os terroristas do Grupo Estado Islâmico. Segundo a ONU, a ajuda humanitária “será sobrecarregada até seus limites”.

Nas próximas semanas, de 300 mil a 320 mil iraquianos poderão fugir da região oeste da cidade para lugares mais seguros, de acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). O contingente se somará às outras 180 mil pessoas que já deixaram a porção ocidental de Mossul desde meados de fevereiro.

“A operação humanitária no oeste de Mossul é bem maior e mais complexa do que no leste”, afirmou a coordenadora humanitária da ONU para o Iraque, Lise Grande, lembrando das batalhas que tiveram início no ano passado pelo controle da cidade.

Segundo a funcionária das Nações Unidas, durante a investida das autoridades sobre a parte oriental de Mossul, a maior parte da população permaneceu em suas casas. Agora, a maioria dos moradores estão fugindo do oeste.

Mesmo relutantes em deixar a cidade, habitantes do leste foram forçados a deixar o município. Desde 17 de outubro, 330 mil deixaram a região. Atualmente, 70 mil já voltaram às suas casas porque os perigos diminuíram após a reconquista. No leste, a situação deverá se agravar com os combates entre governo e extremistas.

“Famílias correm risco de serem fuziladas se elas fugirem (do oeste de Mossul) e correm risco se ficarem. É horrível. Centenas de milhares de civis estão presos e numa situação de perigo terrível”, afirmou Lise.

Outro problema é o uso de explosivos na Cidade Antiga, área densamente povoada da Mossul Ocidental. Relatos de moradores indicam que a movimentação para dentro ou fora do local é muito difícil.

O fornecimento de alimentos e água também foi fragilizado pelos confrontos e, sob cerco, a população tem passado fome por conta da elevação dos preços de produtos básicos.

Na quinta-feira (16), a representante da ONU já havia declarado que “o número de pessoas (potencialmente deslocadas) é mais alto do que o esperado”. Se 50 mil iraquianos fugirem em único dia, “o atual sistema (de acampamentos e provisão) não funcionária adequadamente”.

Segundo o OCHA, um esforço nacional está sendo liderado pelo governo do Iraque para enfrentar a crise de deslocamento forçado. Dezessete campos já foram montados para acomodar os civis. As autoridades e parceiros planejam expandir dez desses centros.