ONU: Bombardeio a campos de refugiados no noroeste da Síria pode constituir crime de guerra

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e outras autoridades das Nações Unidas condenaram sem reservas nesta sexta-feira (6) o bombardeio de dois campos de refugiados em Sarmada, noroeste da Síria, que mataram cerca de 30 civis, incluindo crianças.

Mulher prepara refeição em uma área improvisada ao ar livre do campo de Bab Al Salame, destinado a deslocados internos, perto da fronteira com a Turquia na província de Alepo, Síria (janeiro de 2014). Foto: UNOCHA

Mulher prepara refeição em uma área improvisada ao ar livre do campo de Bab Al Salame, destinado a deslocados internos, perto da fronteira com a Turquia na província de Alepo, Síria (janeiro de 2014). Foto: UNOCHA

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e outras autoridades sêniores das Nações Unidas condenaram sem reservas nesta sexta-feira (6) o bombardeio de dois campos de refugiados em Sarmada, noroeste da Síria, que mataram cerca de 30 civis, incluindo crianças.

Em comunicado, Ban reiterou seu pedido para que o Conselho de Segurança envie uma forte mensagem a todas as partes no conflito de que haverá “sérias consequências” para as graves violações de leis humanitárias internacionais e de direitos humanos.

“Os responsáveis pelo ataque aparentemente calculado de ontem [5 de maio] contra civis no campo de Iblib, que pode constituir um crime de guerra, precisam ser responsabilizados”, disse, pedindo que o Conselho de Segurança leve a situação síria ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Chamando os ataques de uma “flagrante violação às leis humanitárias internacionais e de direitos humanos”, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) disse que os ataques demonstram mais uma vez a “extrema dificuldade” enfrentada por civis que fogem da violência na Síria em busca de segurança.

De acordo com o ACNUR, o acordo informal de Ghita Al-Rahmeh, perto da vila de Al-Kamoneh, abrigava cerca de 2,5 mil pessoas — aproximadamente 450 famílias — que já tinham deixado suas casas no oeste e norte de Alepo desde o fim do ano passado. Informações indicam que muitas pessoas desde então fugiram para vilarejos vizinhos, temendo novos ataques.

As vítimas dos ataques estão entre os cerca de 6,5 milhões de deslocados internamente na Síria, muitos dos quais tiveram que fugir muitas vezes enquanto as linhas de frente do conflito mudaram de local nos últimos cinco anos.

Paralelamente, o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, afirmou que dado que os assentamentos estavam nessas localidades havia várias semanas e podiam ser claramente vistos do ar. “É extremamente improvável que esses ataques assassinos tenham sido um acidente”, destacou.

O chefe da agência da ONU para os direitos humanos também indicou que informações iniciais sugerem que os ataques foram promovidos por aeronaves do governo sírio, mas que essa informação ainda precisa ser verificada.

Chefe de Assuntos Humanitários da ONU pede investigação sobre ataques em Idleb

O chefe de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, Stephen O’Brien, pediu investigação imediata, imparcial e independente sobre os ataques aéreos que mataram dezenas de civis na quinta-feira (5) em Idleb, norte do país.

Caso se conclua que foram deliberados, os ataques podem ser considerados crimes de guerra. “As tecnologias militares modernas dão pouca margem a erros”, disse.

As leis humanitárias internacionais preveem claramente a responsabilidade das partes em um conflito de proteger civis e tomar todas as medidas possíveis para evitar locais onde civis estejam vivendo ou possam estar sendo cuidados por equipes humanitárias, disse.

“Minha pergunta mais uma vez é: quantas mortes a mais, quanto sofrimento podemos tolerar antes de um impulso coletivo para acabar com essa crise sem sentido e vergonhosa que afeta sírios, seus vizinhos e muitas pessoas além?”, questionou diante do Conselho de Segurança da ONU.