ONU: Capacidade de reação da comunidade internacional foi ‘severamente testada’ em 2013

Enquanto alguns países apresentam avanços lentos, porém constantes, outros exibem dados alarmantes – como a Síria e a República Centro-Africana, disse a chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay.

Vítimas de tortura passam por uma reabilitação no Centro Africano para a Prevenção e Resolução de Conflitos, no Senegal. O centro é financiado pelo Fundo da ONU para Vítimas de Tortura. Foto: ACNUDH

Vítimas de tortura passam por uma reabilitação no Centro Africano para a Prevenção e Resolução de Conflitos, no Senegal. O centro é financiado pelo Fundo da ONU para Vítimas de Tortura. Foto: ACNUDH

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, entregou nesta segunda-feira (2) um relatório que indica um “progresso misto” dos direitos humanos em todo o mundo. Enquanto alguns países apresentam avanços lentos, porém constantes, outros exibem dados alarmantes, casos da Síria e a República Centro-Africana (RCA).

Pillay afirmou que o conflito na Síria desafia os níveis existentes de crueldade, enquanto o conflito da RCA está se deteriorando rapidamente e o alerta pedindo pelo socorro “soa alto e claro”. Ela também destacou a “séria instabilidade política” em Bangladesh, que está causando muitas mortes na corrida para as eleições; as sucessivas administrações de “mão pesada” no Egito, tentando sufocar o direito das pessoas a protestos pacíficos; e os atuais confrontos na Tailândia.

Ela afirmou que 2013 foi o ano em que a habilidade da comunidade internacional de prevenir conflitos foi mais severamente testada.

Pillay também lembrou que as represálias contra as organizações da sociedade civil, defensores dos direitos humanos individuais e jornalistas que trabalham em questões de direitos humanos são “extremamente preocupantes” em muitos países e chamou a atenção para a situação dos migrantes, que continuam sendo tratados como cidadãos de segunda classe em muitos países, bem como a exploração política contínua da xenofobia e do racismo na Europa e em outras áreas industrializadas.

“Em meio a tudo isso, há, no entanto, o progresso que ocorre lenta e progressivamente fora do centro das atenções, às vezes sendo o objeto de importantes mudanças políticas, como uma série de reformas anunciadas ao longo das últimas duas semanas pelo governo da China”, indicou Pillay.

Este ano marca o 20º aniversário da criação do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Pillay observou que, em geral, o sistema de direitos humanos da ONU é muito mais forte do que era há duas décadas. No entanto, as preocupações permanecem.

“As instituições de direitos humanos da ONU, independente de quão bem funcionem, ainda não são suficientes por si só”, disse Pillay, acrescentando que “as Nações Unidas – os Estados-membros, organismos poderosos como o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral, e todas as agências, fundos e programas da ONU – precisam reunir esforços em uma busca comum para melhorar os direitos humanos para todos em todo o mundo, em conformidade com a Carta das Nações Unidas”.