Conselho de Direitos Humanos da ONU convocou uma reunião especial para ouvir o presidente Nicolás Maduro sobre a situação de direitos humanos no país. Alto comissário citou preocupações com o judiciário e liberdades dos cidadãos.

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, responde à reunião especial do Conselho de Direitos Humanos em Genebra. Foto: ONU/Jess Hoffman
Em reunião especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para tratar da situação de direitos humanos na Venezuela, o alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, sublinhou na quinta-feira (12) a necessidade de promover a proteção dos direitos humanos no país e de defender “até mesmo aqueles que que discordam das políticas do Estado”.
A Venezuela foi reeleita para servir como membro do Conselho de Direitos Humanos da ONU em outubro deste ano.
“A adesão ao Conselho vem com a responsabilidade de promover e proteger os direitos humanos no seu próprio país, mas também a nível global. É minha esperança sincera que a Venezuela consiga realizar um progresso concreto nas duas frentes”, afirmou Zeid.
O alto comissário citou que vários mecanismos, incluindo o Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária e o seu próprio escritório, expressaram preocupação em relação à independência do judiciário na Venezuela, citando, em particular, a gestão de casos politicamente sensíveis como o da juíza María Lourdes Afiuni e Leopoldo López. Também instou o governo a revogar o estado de emergência em 24 municípios, que comprometem a proteção de vários direitos dos cidadãos.
O Conselho de Direitos Humanos também questionou a liberdade e proteção de direitos de jornalistas, defensores de direitos humanos e advogados na Venezuela, além de mostrar preocupação com uma tendência regressiva no combate à pobreza.
O presidente do país, Nicolás Maduro, rebateu as críticas dizendo que o país sempre colaborou com o trabalho dos órgãos da ONU com um espírito de transparência. Ele lembrou que não é a primeira vez que a nação sofre acusações, mas que a Revisão Periódica Universal de direitos humanos do país, que acontecerá este ano, mostrará o comprometimento do país neste âmbito.