ONU chama atenção para deslocamentos forçados e mortes por conflitos na Colômbia

Milhares são internamente deslocados e centenas mortos mensalmente no país desde o início das negociações de paz entre governo e rebeldes.

Crianças internamente deslocadas na Colômbia, vítimas dos conflitos no país. Foto: ONU/Mark Garten

Crianças internamente deslocadas na Colômbia, vítimas dos conflitos no país. Foto: ONU/Mark Garten

A secretária-geral assistente das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e vice-coordenadora de Socorro de Emergência, Kyung-wha Kang, disse nesta quarta-feira (4) em Bogotá que milhares de pessoas são deslocadas à força e centenas são mortas todos os meses na Colômbia como resultado de décadas de constantes conflitos armados e desastres naturais.

“É vital para as pessoas vivendo nesta situação que se aproveite toda oportunidade para ajudá-las, protegê-las e para promover a paz”, disse Kang. Desde o começo das discussões de paz entre o governo do país e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), 14 mil pessoas foram deslocadas e centenas mortas mensalmente por minas ou outros aparelhos explosivos.

“Eu creio que os esforços do povo colombiano e seus líderes possam levar ao fim do conflito e pavimentar a estrada para uma reconciliação e paz duradouras, com a participação de todos os setores da sociedade”, afirmou, embora também notando que a eventual assinatura de um acordo de paz não significará o fim da violência para todos.

O cultivo e o tráfico de drogas contribuíram para fomentar os conflitos na Colômbia – um dos maiores produtores de coca no mundo, junto com Bolívia e Peru.

Segundo dados do Escritório sobre Drogas e Crime (UNODC), apesar de uma queda de 25% em 2012, o cultivo da planta geralmente ganha novo fôlego em novos campos ou em áreas previamente revistadas.

A nação também é vulnerável a desastres naturais – a exemplo da inundação que impactou 1,5 milhão de pessoas em 2010 – e a problemas relacionados à degradação ambiental, cujos efeitos são particularmente cruéis nas comunidades já afetadas por conflitos armados, que sofrem com altos índices de pobreza e acesso limitado a serviços básicos.