ONU cobra retorno ao diálogo político em meio a tensões em curso no Burundi

Desde que os protestos pré-eleitorais eclodiram, no início de abril, cerca de 100 mil burundianos deixaram suas casas e fugiram para países vizinhos.

Burundianos que fugiram para a Ruanda após o aumento das tensões políticas. Foto:ACNUR/K.Holt

Burundianos que fugiram para a Ruanda após o aumento das tensões políticas. Foto:ACNUR/K.Holt

As Nações Unidas continuam empenhadas na facilitação do diálogo entre as partes interessadas do Burundi em meio ao impasse político em curso no país e uma crise humanitária crescente, declarou nesta terça-feira (02) o porta-voz da Organização.

Em uma conferência de imprensa, Stéphane Dujarric disse aos jornalistas que o enviado especial para a região dos Grandes Lagos, Said Djinnit, tinha retornado para a capital do Burundi, Bujumbura, depois de participar da Cúpula da Comunidade do Leste Africano, no domingo. Em seu retorno, Djinnit enfatizou a importância do reinício das negociações com as partes interessadas do Burundi sobre maneiras de retomar o diálogo político.

Dujarric informou que o subsecretário-geral de Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, se reuniu recentemente o primeiro vice-presidente do Burundi, Prosper Bazombanza, e endossou as recomendações da Cúpula do Leste Africano, que, segundo ele, permitem ao governo uma oportunidade adicional para criar as condições para eleições pacíficas e confiáveis.

Burundi está envolvido em uma crise política desde meados de abril, quando protestos populares eclodiram depois que o partido de situação Conselho Nacional do país para a Defesa da Democracia – Forças para a Defesa da Democracia (CNDD-FDD) nomeou o presidente Pierre Nkurunziza como seu candidato presidencial para uma terceiro mandato. A situação se intensificou pouco tempo depois, na sequência de uma tentativa de golpe de Estado. Desde o início do conflito cerca de 100 mil burundianos fugiram do seu país, de acordo com estimativas da ONU.