Após mais de 5 anos de conflito na Síria, o país continua a enfrentar uma crise que trouxe mortes, deslocamentos e instabilidade regional. A crise no país é responsável por quase 17% do total de deslocados em todo o mundo, incluindo meio milhão de palestinos que deixaram o país; deste total de deslocados, 80% vive em situação de pobreza.

Família síria em sua casa alugada no sul da cidade libanesa de Abbasieh. Foto: ACNUR/B. Hansford
Em uma reunião última segunda-feira (21) na sede da ONU, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Mogens Lykketoft, afirmou que o mais recente esforço diplomático para solucionar a crise na Síria tem sido marcado por progressos e retrocessos, e lembrou que essa crise é responsável por quase 17% do total de pessoas deslocadas em todo o mundo.
Levando em conta esse contexto, Lykketoft afirmou que é crítico que a Assembleia Geral permaneça a par dos recentes desenvolvimentos no país, e que o ímpeto em solucionar pacificamente a crise não seja perdido.
De acordo com o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, o esforço de ajuda humanitário não pode substituir a ação polític. Para mostrar ao povo sírio que o mundo não os esqueceu, é preciso tomar ações políticas imediatas que acabem com o ciclo de miséria e violência, acrescentou.
O’Brien destacou que a comunidade internacional deve reforçar o apoio financeiro e mostrar sua liderança ao garantir proteção aos civis e a infraestrutura, além de garantir que as partes no conflito mantenham seus compromissos internacionais, incluindo com as resoluções do Conselho de Segurança que tratam dos direitos humanos dos deslocados.
Segundo o chefe humanitário da ONU, a crise que já matou centenas de milhares de pessoas, feriu mais de 1 milhão e derrubou a expectativa de vida em 20 anos. Além disso, destruiu a estrutura social e econômica do país, deteriorando ganhos desenvolvidos ao longo de várias gerações e deixando 80% da população em situação de pobreza. Ao todo, cerca de 2 milhões de crianças já abandonaram os estudos.
Stephen O’Brien destacou que as agências de ajuda humanitária estão fazendo o possível para amparar milhões de sírios afetados pelo conflito, sendo que cerca de 5,8 milhões de pessoas são assistidas por mês com alimentos.
Ivan Šimonović, secretário-geral assistente das Nações Unidas para os Direitos Humanos, afirmou que a crise na Síria está “enraizada” na violação de direitos humanos, sendo que as partes em conflito descaradamente desrespeitam esses direitos ao atacarem indiscriminadamente, usando força desproporcional, destruindo locais protegidos e instalações médicas.
“Este é o sexto ano de horror para os sírios. Tantos sofreram tortura, destruição e morte, e suas histórias não são mais notícia. Pode ser difícil de entender o efeito de milhões de violações de direitos no conflito sírio – mas é fácil ver que elas devem ser paradas”, disse ele.
“Os direitos humanos nunca devem ser vistos como um obstáculo para uma negociação bem-sucedida. O oposto também é verdadeiro: os direitos humanos são um elemento essencial de uma negociação bem-sucedida. E eles são uma salvaguarda para a paz sustentável”, acrescentou.