ONU condena ataque que matou 18 pessoas na Síria, incluindo cinco crianças e um funcionário

Explosão aconteceu perto de escola mantida pela agência de assistência a refugiados da Palestina. Dentre os cerca de 20 feridos há oito alunos e dois funcionários. País tem 240 mil pessoas sitiadas.

Foto: UNRWAA Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) condenou o ataque que matou 18 pessoas na Síria na terça-feira (18). A explosão aconteceu perto de uma escola mantida pela agência em Muzeirib, no sul do país. Cinco crianças palestinas e um funcionário da ONU morreram. Dentre os cerca de 20 feridos, há oito alunos – dois foram amputados – e outros dois funcionários.

“A tragédia de ontem [terça] demonstra, sem sombra de dúvida, que o conflito na Síria só pode ser interrompido por meio do diálogo e de negociações políticas. A militarização deve acabar”, disse o comissário-geral da UNRWA, Filippo Grandi, pedindo que a comunidade internacional tome alguma atitude para proteger as crianças sírias.

O ataque aconteceu apenas oito dias após a agência ter condenado uma explosão que feriu 40 crianças na escola de Turaan, também em Muzeirib.

Guerra deixa 240 mil pessoas sitiadas em todo o país

Estima-se que 240 mil sírios estejam em áreas sitiadas por causa de cercos tanto do governo quanto das forças de oposição. O estudo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) lançado nesta quarta-feira (19) afirma que isso resulta em graves dificuldades, sofrimento e morte de civis, o que significa uma violação clara das leis humanitárias internacionais.

Segundo a análise, feita com base em informações coletadas entre abril de 2013 e 20 de janeiro deste ano, as áreas que mais sofrem com os cercos são as províncias de Damasco, Damasco Rural, Homs e Aleppo.

O Direito Internacional Humanitário afirma que as partes envolvidas em um conflito devem garantir a segurança das pessoas que buscam sair de locais de confronto. Além disso, devem assegurar que os feridos e doentes sejam recolhidos e tratados e não podem destruir bens indispensáveis à sobrevivência da população civil por meio de bombardeios e ataques indiscriminados.

O documento do ACNUDH afirma que o governo violou todos os requisitos citados acima. Ele está impedindo a circulação de pessoas, bens e suprimentos por meio de barricadas e postos de controle. Os civis estão enfrentando escassez de alimento, água, eletricidade, combustível e assistência médica.

Em Ghouta, Damasco Rural, onde se acredita que mais de 173 mil pessoas estejam cercadas, alguns moradores estão vivendo com quase nenhuma comida ou outras necessidades básicas. Várias pessoas estão morrendo por causa dos cuidados inadequados de saúde e nutrição. A situação é tão caótica que líderes religiosos estão até permitindo que a população mate cães e gatos para comer.

Em Yarmouk, campo de refugiados palestinos ao sul de Damasco, dezenas de mortes foram relatadas por causa de fome, consumo de comida podre, escassez crônica de suprimentos e atendimento médico inadequado, afirma o estudo. Há mais de dez dias a UNRWA não têm permissão para entrar no acampamento.

Enquanto isso, em Nubul e Zahra, no norte de Aleppo – onde vários grupos de oposição cercam quase 45 mil pessoas desde julho de 2012 -, alimentos, combustível e suprimentos médicos também não podem entrar.

Já em Homs, 11 civis saíram da cidade com a ajuda do governo e do Crescente Árabe Sírio, incluindo uma criança, informou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Desde que as retiradas de civis começaram no dia 7 de fevereiro, estima-se que 600 homens entre 15 e 54 anos foram levados para as instalações do abrigo Al Andalus para serem averiguados. Cerca de metade deles foram liberados.