ONU condena ataques que mataram centenas de pessoas no Sudão do Sul

O Conselho de Segurança e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenaram com veemência a escalada da violência na capital do Sudão do Sul, Juba, que atingiu até instalações da Organização. Pelo menos 272 pessoas morreram nos últimos dias no país, que enfrenta uma guerra civil há mais de dois anos.

O Conselho de Segurança e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenaram com veemência a escalada da violência na capital do Sudão do Sul, Juba. Os ataques iniciados no dia 7 de julho já deixaram centenas de mortos. O jovem país celebrou cinco anos de independência no sábado (9) e enfrenta uma guerra civil há mais de dois anos.

Os integrantes do Conselho fizeram uma reunião de emergência de três horas e pediram que o presidente, Salva Kiir, e o vice-presidente, Reik Machar, controlem seus exércitos, que atacaram inclusive instalações da ONU que protegem civis na capital. Membros das Forças de Paz da China e de Ruanda foram mortos ou ficaram feridos.

“Os membros do Conselho condenaram energicamente os ataques contra civis e contra as Nações Unidas. Eles enfatizaram que os locais de proteção de civis e o pessoal da ONU precisam permanecer seguros”, afirmou o embaixador Koro Bessho, do Japão, presidente do Conselho neste mês. Ataques a civis e contra instalações e pessoal das Nações Unidas são considerados crimes de guerra.

O Conselho de Segurança pediu ainda que os dois líderes “genuinamente se comprometam a implementar imediatamente o acordo de paz, incluindo o cessar-fogo permanente e a retirada das forças militares de Juba”. O Conselho alertou ainda que os países da região devem estar preparados para enviar tropas adicionais à região, caso necessário.

“Esta violência gratuita e absurda é inaceitável e pode reverter o progresso alcançado até aqui no processo de paz”, afirmou Ban Ki-moon, ao externar profunda frustração com a situação no local.

“Os dirigentes precisam evitar a escalada da violência em outras partes do país, garantir a segurança e proteção dos civis, incluindo membros das Forças de Paz, e genuinamente se comprometer em implementar integralmente o acordo de paz”, afirmou.

A Missão da ONU no País manifestou repúdio à situação próximo às instalações que atendem  milhares de pessoas – cerca de 170 mil civis buscam abrigo nas bases da ONU no país. Os combates na capital forçaram centenas de civis a buscar abrigo.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) observou que o Sudão do Sul passou boa parte de sua curta vida em uma guerra interna, dividido por uma disputa política entre o presidente e seu então vice, irrompendo no conflito que teve início em dezembro de 2013. No total, 2,4 milhões de pessoas já fugiram de suas casas com medo, com um acordo de paz de agosto de 2015 encerrando formalmente a guerra.

Apesar do acordo, conflitos e instabilidade se espalharam por áreas anteriormente não afetadas nas regiões de Equatoria e Bahr-El-Ghazal. Em junho, confrontos mortais em Wau resultaram na morte de mais de 40 pessoas, enquanto outras 35 mil pessoas tiveram de fugir de suas casas.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) expressou alarme com a escalada da violência e pediu que os envolvidos respeitem os princípios humanitários e permitam acesso irrestrito aos civis necessitados, lembrando que mulheres e crianças são os que mais sofrem.

Em agosto de 2015, um acordo de paz selou o fim da guerra, mas os embates persistem. Segundo agências de notícias internacionais, pelo menos 272 pessoas morreram nos combates dos últimos dias.