Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou, fortemente, o ataque terrorista que envolveu o alvejamento de vítimas em função de sua orientação sexual.
Chefe de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, criticou facilidade com que pessoas podem adquirir armamento de alta potência nos Estados Unidos. O dirigente também repreendeu a exploração do evento trágico para incitar homofobia e islamofobia.
O diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, expressou solidariedade com as pessoas LGBTI e destacou que “não há lugar para a violência baseada em orientação sexual no mundo de hoje”.

No estado de Minnesota, nos Estados Unidas, pessoas fizeram uma vigília em homenagem às vítimas do atentado em Orlando, no último domingo (12). Foto: Fibonacci Blue / Flickr (CC)
Os Estados Unidos precisam implementar medidas robustas de controle de armas de fogo para evitar ataques violentos no país, alertou nesta terça-feira (14) o alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, em comunicado emitido dois dias após atentado em Orlando, na Flórida, onde 49 pessoas morreram e 53 ficaram feridas em um tiroteio em massa.
“É difícil encontrar uma justificativa racional que explique a facilidade com que civis compram armas de fogo, incluindo rifles, apesar de antecedentes criminais, do uso de drogas, históricos de (evolvimento em) violência doméstica, doenças mentais ou contato direto com extremistas – nacionais e estrangeiros”, afirmou o dirigente.
“Quantas mais mortes em massa de crianças em idade escolar, de colegas de trabalho, de fiéis afro-americanos; quantos mais tiroteios individuais de músicos talentosos, como Christina Grimmie, ou políticos, como Gabrielle Giffords, vão ocorrer até que os Estados Unidos adotem uma robusta regulação de armas?”
É difícil encontrar uma justificativa racional
que explique a facilidade com que civis
compram armas de fogo,
incluindo rifles, apesar de antecedentes criminais.
O alto comissariado criticou a facilidade com que armas de alta potência — projetadas para matar muitas pessoas — podem ser adquiridas.
Ainda de acordo com Zeid, propagandas irresponsáveis pró-armas sugerem que o uso desse tipo de armamento torna a sociedade mais segura, quando todas as evidências, na verdade, apontam o contrário.
Um novo relatório de direitos humanos da ONU sobre a aquisição, posse e o uso de armas de fogo por parte de civis destaca o “impacto devastador” da violência armada em uma série de direitos humanos, incluindo os direitos à vida, à segurança, à educação, à saúde — um padrão adequado de vida e participação cultural.
De acordo com o documento, mulheres e crianças são vítimas frequentes de violência por armas de fogo, notadamente em ocorrências de estupro e outras formas de violência sexual, rapto, assalto e violência doméstica.
O relatório afirma que a proteção dos direitos humanos deve estar no centro do desenvolvimento de leis e regulamentos sobre a disponibilidade, a transferência e o uso de armas de fogo.
Como a ONU e especialistas de direitos humanos há muito recomendam,
medidas de controle de armas de fogo devem incluir sistemas adequados de verificação, de revisão periódica das licenças, de formação obrigatória, bem como a criminalização da venda
ilegal de armas de fogo.
“Exemplos de muitos países mostram claramente que um cenário jurídico adequado para controlar a aquisição e utilização de armas de fogo levou a uma redução drástica da criminalidade violenta”, destacou Zeid.
“Nos Estados Unidos, no entanto,
existem centenas de milhões de armas
em circulação e todos os anos
milhares de pessoas são mortas ou
feridas por elas.”
Zeid acrescentou que é particularmente repreensível que este terrível acontecimento já esteja sendo utilizado para promover sentimentos homofóbicos e islamofóbicos. Ele ainda pediu que, após esse “incidente horroroso”, todos nos Estados Unidos se unam em torno da causa comum pelo fortalecimento dos direitos humanos — e consequentemente, da segurança — de todos os indivíduos no país.
Conselho de Segurança condena ataque com base em orientação sexual

Foto: Reprodução / Missão Permanente da França nas Nações Unidas
Na véspera do pronunciamento do alto comissário (13), os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas condenaram fortemente o ataque terrorista que envolveu o alvejamento de vítimas em função de sua orientação sexual.
O organismo expressou suas profundas condolências às famílias dos mortos e ao governo dos Estados Unidos.
O Conselho reafirmou que o terrorismo, em toda as suas formas e manifestações, constitui uma das ameaças mais graves à paz e à segurança internacional.
‘Não há lugar para ódio e violência baseados em orientação sexual no mundo de hoje’
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) condenou o ataque em Orlando e expressou solidariedade com todas as pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais (LGBTI). A agência da ONU informou que se uniu ao secretário-geral Ban Ki-moon para estender suas condolências às famílias das vítimas.
"Minhas profundas condolências às famílias das vítimas do tiroteio em #Orlando. #ZeroDiscriminação p/ tod@s" pic.twitter.com/v42eb4SECA
— UNAIDS Brasil (@UNAIDSBrasil) 13 de junho de 2016
“Não há lugar para ódio e violência baseados em orientação sexual no mundo de hoje”, destacou o diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. “Temos que construir sociedades inclusivas onde todas as pessoas sejam tratadas com respeito e dignidade e possam levar vidas livres do medo e da exclusão.”
A agência das Nações Unidas ressaltou ainda que pessoas LGBTI enfrentam uma variada gama de violações de direitos humanos que já foram documentadas pela ONU e outras entidades em todas as regiões do mundo.
Presidente da Assembleia Geral também se pronunciou
Também na segunda-feira (13), o presidente da Assembleia Geral da ONU, Mogens Lykketoft, considerou o caso o pior tiroteio em massa provocado por um atirador solitário na história dos Estados Unidos.
O dirigente expressou indignação pelo ataque e profundo pesar pelas vítimas mortas no ocorrido.
Também a respeito do atentado, o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT), Taleb Rifai, expressou “profundo choque”.
“Este crime hediondo nos lembra, mais uma vez, que estamos diante de uma ameaça global e que precisamos mais do que nunca ficar juntos, reforçar a nossa cooperação e continuar a lutar contra o preconceito”, ressaltou.