O Escritório de Direitos Humanos também mostrou sua preocupação pelo sequestro e desaparecimento de três religiosos, capturados pelo grupo armado.
A campanha de violência do Estado Islâmico na Síria e no Iraque destruiu em meados de setembro a igreja armênia na cidade síria de Deir Al-Zor, anunciou o Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), aumentando assim a lista de ataques a lugares sagrados varridos do mapa, incluindo mesquitas, santuários e outros edifícios religiosos em áreas sob o controle do grupo extremista.
A agência da ONU condenou o ataque e lembrou que “todos os membros religiosos e edifícios dedicados à religião estão protegidos pelo direito internacional humanitário e devem ser respeitados e protegidos por todas as partes”.
O porta-voz do ACNUDH, Rupert Colville, também enfatizou que a agência está preocupada com a segurança de três religiosos, suspeitos de terem sido capturados pelo grupo armado e cujos paradeiros são desconhecidos. Os arcebispos da igreja ortodoxa síria e grega, Yohanna Ibrahim e Paul Yazigi, foram raptados em Aleppo em abril de 2013, enquanto o padre católico Paolo Dall’Oglio desapareceu em Ar Raqqah em janeiro.
Colville explicou nesta sexta-feira (3) aos jornalistas que o uso indiscriminado da violência, incluindo ataques a muçulmanos e seitas muçulmanas, é um produto da crença Takfiri adotada por certos grupos religiosos radicais. Ao aplicar o Takfiri, grupos como o Estado Islâmico ou o Boko Haram (Nigéria) automaticamente assumem a autoridade para declarar qualquer pessoa um apostata, alguém que renunciou sua religião.
Essa doutrina foi posta em evidência pelo novo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, e explicaria porque além de perseguir ao grupos não muçulmanos o grupo também estaria cometendo atrocidades contra pessoas que compartilham sua mesma fé e destruindo seus lugares sagrados – uma tática, que segundo o porta-voz, os militantes estão usando para aumentar o seu poder através do medo e da intimidação.
No entanto, o governo sírio e forças de oposição também mostraram o seu descaso com os lugares sagrados e são acusados de destruir o patrimônio do país e lugares arqueológicos. A barbárie e outras violações do Estado Islâmico foram documentadas em mais detalhes em um relatório divulgado nesta quinta-feira (2) pela agência.