Onze pessoas relataram ter os dedos cortados depois de votar no segundo turno presidencial, uma suposta punição promovida por membros do Talibã.

Afegãos em todas as 34 províncias do país participaram de eleições históricas. Foto: Jawad Jalali/UNAMA
A principal autoridade das Nações Unidas no Afeganistão condenou fortemente o que parece ser uma punição realizada pelos talibãs a 11 pessoas, que tiveram seus dedos cortados depois de votar no segundo turno presidencial.
“Como milhões de compatriotas e mulheres, esses afegãos comuns estavam exercendo seu direito fundamental para determinar o futuro do seu país através do voto e não através da violência e da intimidação”, afirmou o representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, Ján Kubis.
Durante entrevistas com os monitores de direitos humanos da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA), as 11 vítimas acusaram o Talibã de cortar o seu dedo indicador como punição por terem votado na província ocidental de Herat. O dedo manchado de tinta é usado como prova de que a pessoa votou e visa a evitar que os eleitores votem mais de uma vez.
Kubis, que lidera a UNAMA, disse que essa “crueldade desumana contra civis afegãos” são manifestações de fraqueza e desespero. “Eles sabem que perderam o apoio do povo afegão”, acrescentou. “Ao votar, eles já derrotaram aqueles que promovem o terror e a violência.”
Pleito representa a primeira transição democrática de poder no país
Cerca de 60% dos 12 milhões de eleitores do país votaram no último sábado (14), de acordo com estimativas iniciais da Comissão Eleitoral Independente.
Em um comunicado após o término da eleição, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou a participação de homens e mulheres em todo o país por ter demonstrado seu compromisso com a construção do futuro do seu país – e rejeitando a violência e intimidação.
Os cidadãos escolheram entre o ex-ministro de Relações Exteriores, Abdullah Abdullah, e o ex-economista do Banco Mundial, Ashraf Ghani.
Segundo a comissão eleitoral do país, apesar dos incidentes violentos, o processo transcorreu tranquilamente na maior parte do país, com alguns centros de votação registrando falta de urnas.