ONU condena novos atentados no Iraque; 410 civis foram assassinados em fevereiro

Atentado à bomba perto da cidade de Hilla, sul do Iraque, deixou no domingo (6) dezenas de mortos e foi fortemente condenado pela principal autoridade da ONU no país. Levantamento das Nações Unidas mostrou que o conflito deixou ao menos 400 civis mortos em fevereiro, enquanto cidades como Fallujah permanecem sob controle do ISIL.

Duas crianças que fugiram da violência no Iraque. Foto: ONU/Bikem Ekberzade

Duas crianças que fugiram da violência no Iraque. Foto: ONU/Bikem Ekberzade

A principal autoridade das Nações Unidas no Iraque condenou fortemente o atentado à bomba perto da cidade de Hilla, no sul do país, que deixou no domingo (6) dezenas de mortos, incluindo mulheres e crianças. Balanço de missão política da ONU apontou que somente em fevereiro 410 civis foram assassinados no território iraquiano.

“Mais uma vez os terroristas atacam com incalculável selvageria, deixando um rastro de mortes e destruição”, disse o representante especial do secretário-geral da ONU para o Iraque, Jan Kubis, em comunicado à imprensa no domingo.

“Essa nova atrocidade cometida por um suicida dirigindo um veículo cheio de explosivos teve como alvo uma movimentada blitz perto de Hilla, enquanto carros paravam nas checagens de segurança. Tinha claramente o objetivo de causar o máximo de mortes entre civis”, acrescentou.

Kubis pediu que os iraquianos não se intimidassem pela campanha assassina dos terroristas. “Esse ataque chocante soma-se ao longo histórico de brutalidade que nós e todos os iraquianos de diferentes afiliações condenam fortemente e rejeitam totalmente”, afirmou.

Ele reiterou seu apelo aos iraquianos para que não caiam no que chamou de armadilhas dos terroristas, que segundo ele buscam minar a unidade do Iraque e alimentar um conflito sectário. Kubis pediu ainda que o governo iraquiano garanta que os criminosos sejam levados aos tribunais.

Mais de 400 civis assassinados em fevereiro

Ataques terroristas, violência e conflito armado no Iraque deixaram 670 mortos em fevereiro, incluindo 410 civis, informou a missão política das Nações Unidas no país no início deste mês.

De acordo com números da Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI), 260 membros das forças de segurança iraquianas e 410 civis foram mortos, enquanto 240 membros das forças de segurança e 1.050 civis ficaram feridos.

Apesar de o total ter caído frente aos 849 mortos e 1.450 feridos de janeiro, o segundo mês do ano foi marcado pela virulência dos ataques, incluindo atentados à bomba em locais de cultos religiosos, um mercado e um funeral.

No fim de fevereiro, a coordenadora humanitária da ONU no Iraque, Lise Grande, manifestou profunda preocupação com as mortes de milhares de civis que estão isolados em Fallujah e no distrito de Sinjar.

“Pedimos que o governo do Iraque e o governo regional do Curdistão cumpram suas obrigações sob as leis internacionais e redobrem seus esforços para facilitar a retirada e realocação de civis para áreas mais seguras com comida, água e assistência médica”, disse Lise.

A cidade de Fallujah, na região de Ambar, permanece sobre controle do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL).

Mais de 3 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas no Iraque desde janeiro de 2014. A ONU estima que mais 3 milhões de pessoas estejam vivendo sob o comando do ISIL no país.